Com um curativo no rosto durante o velório do filho Daniel, de 1 ano e três meses, o desempregado James Ferreira da Silva, de 25 anos, disse que tentou fugir de um criminoso pensando em proteger o filho, em seus braços. Mas o efeito foi contrário e a criança foi baleada no olho.
– Só pensava em proteger meu filho, por isso saí correndo – contou ele, nesta sexta, em Osasco, na Grande São Paulo. Na noite de quinta-feira, James voltava de um culto evangélico com o filho no colo quando foi abordado por um homem armado. Ele tentou fugir para casa, que estava a poucos metros dali, e o bandido atirou.
A polícia começou a investigar a possibilidade de que o crime tenha sido encomendado
Segundo o delegado João Rodrigues Marques, do 8º Distrito Policial de Osasco, na Grande São Paulo, uma testemunha, que prestou depoimento nesta sexta, contou à polícia que James Ferreira da Silva era usuário de droga e poderia ter sido vítima de um acerto de contas. A criança morreu na manhã de sexta. O pai teve alta logo depois.
– O bandido sacou a arma e disse que era um assalto. Eu falei que não tinha dinheiro. Vi que ele estava na maldade e fiquei com medo. Quando ele virou a cabeça eu saí correndo com meu filho e ele começou a atirar – disse o desempregado.
James levou um tiro na parte de trás de cada coxa, um tiro na boca e outro que raspou na nuca, pescoço e bochecha e atingiu o rosto do bebê.
– Quando fui atingido meu filho parou de chorar e vi que ele estava ferido – lembra, emocionado.
O menino foi enterrado no Cemitério Bela Vista, em Osasco. Cerca de 100 pessoas acompanharam a cerimônia, em meio a tristeza e orações. O pai contou que, naquela tarde, havia ido a uma entrevista de emprego, a primeira após algum tempo, e depois, buscou o filho na casa da sogra. Levou o bebê para casa, deu banho, mamadeira, e seguiu para o culto evangélico com a criança. Por volta das 20h30m, a poucos metros de casa, aconteceu a tragédia.
– Ele estava muito feliz naquela noite, com a possibilidade do emprego – conta o pastor Lenílson Puglia, de 38 anos, responsável pelo culto evangélico frequentado por James.
De acordo com o religioso, ele ia ao local há cerca de oito meses, em busca de apoio e levado pela mulher. Ela, que é supervisora numa concessionária de automóveis, estava trabalhando na hora do crime. Recentemente, ele e a mulher se desfizeram de um carro financiado, que não conseguiam pagar. O bandido sabia disso e teria pedido o dinheiro do carro, mas James disse que foi usado para pagar dívidas.

O Globo / Padom

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