História dos passageiros do voo 447: Perda na luta contra a violência

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Pablo Dreyfus e Ana Carolina Rodrigues em seu casamento. Embarcaram no voo 447 para aproveitar a lua de mel em Paris

O casal Pablo Dreyfus e Ana Carolina Rodrigues, que estava no voo 447, deixa um vazio no movimento pelo desarmamento e de proteção aos jovens carentes. Ambos trabalhavam na ONG Viva Rio
Pablo Dreyfus e Ana Carolina Rodrigues se conheceram na ONG carioca Viva Rio, onde trabalhavam como pesquisadores. Pablo era coordenador de pesquisas do Projeto de Controle de Armas da instituição e foi um dos teóricos do Estatuto do Desarmamento, que virou lei federal no Brasil em dezembro de 2003. Era um dos maiores especialistas mundiais na área. Paris era apenas uma conexão que faria na viagem até Genebra, na Suíça, onde estaria para a reunião anual da mais importante publicação sobre armas e munições do mundo, a Small Arms Survey.Na volta, ao passar de novo por Paris, Pablo tinha combinado com Ana Carolina de, finalmente, tirarem uma semana para curtir uma lua de mel tardia. “Eles se casaram em novembro de 2007 mas, por conta do trabalho, não tinham tido tempo só para eles”, afirma Tião Santos, coordenador do Viva Rio. “Ele queria apresentar Paris a ela. Ele tinha morado lá. Ela estudou na Alemanha, mas ainda não tinha ido à França”, diz Santos.

Ana Carolina trabalhava no projeto de Proteção de Jovens em Território Vulnerável (Protejo), implementado pelo Viva Rio em duas favelas de São Gonçalo. Enquanto Pablo trabalhava quase o tempo inteiro no escritório, Ana Carolina fazia trabalho de campo com jovens entre 18 e 24. É a faixa etária dos que mais sofrem com a violência armada, seja como vítima ou algoz. Pablo atuava nos bastidores, dando embasamento teórico para diminuir a chaga que as armas de fogo – em mãos erradas – provocam na sociedade. Ana Carolina estava na linha de frente.

O casal era discreto. “Não foi um relacionamento comentado no dia a dia. Só percebemos quando, nas festas, eles apareceram juntos”, afirma Tião Santos. O colega de trabalho diz que os dois sonhavam em ter filhos, mas só quando Ana Carolina concluísse a formação. “Ela fazia doutorado em Ciências Sociais na PUC-Rio e estava para terminar o curso. Quando ela pegasse o título, eles teriam o sonhado filho”, afirma Santos.

Pablo Dreyfus não tinha família no Brasil além de Ana Carolina. Os pais dele chegaram ao Brasil na quarta-feira para acompanhar as buscas dos governos brasileiro e francês. A família de Ana Carolina preferiu não dar declarações. Há seis meses, o pai da pesquisadora morreu por motivo de doença, e sua mãe está em estado de choque com a segunda perda em tão pouco tempo.

Época/www.padom.com

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