Grupo vai ao Ministério da Justiça contra transferências

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Em uma reunião no gabinete do prefeito Nelson Trad Filho, nesta tarde, representantes de governo, prefeitura, OAB, MPF, MPE e Poderes Legislativos federal, estadual e municipal, Igreja Católica, evangélicos e até CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) decidiram tomar uma série de ações contra a transferência de criminosos para a Penitenciária Federal de Campo Grande. Uma das medidas é recorrer ao Ministro da Justiça, Tarso Genro. A audiência deve ocorrer na próxima quarta-feira com a participação do prefeito Nelsinho Trad, de deputados federais e de representantes da OAB e da Igreja Católica.
Outra decisão tomada na reunião desta segunda-feira foi de procurar o juiz federal Dalton Igor Kita Conrado, da 5ª Vara Federal, para tentar impedir a concentração de criminosos na Penitenciária Federal de Campo Grande.
Desde 2006, quando entrou em funcionamento, o sistema já recebeu mais de 650 criminosos – cerca de 350 deles passaram em Campo Grande. Mas o Sistema Penitenciário Federal tem unidades prisionais semelhantes em Catanduvas (PR), Porto Velho (RO) e Mossoró (RN).
Além disso, os participantes da reunião farão uma nota de repúdio a respeito das transferências. “Não aceitamos de uma vez só 10 traficantes sendo depositados aqui”, afirmou Nelsinho. “O Presídio Federal pode ser seguro, mas o que vem em volta dele nos preocupa”, explicou.
Coordenador da bancada federal, Waldemir Moka (PMDB-MS) disse que a sociedade está indignada com a transferência dos presos e que deputados federais e senadores vão trabalhar em Brasília (DF) contra essa vinda.
O procurador-geral de Justiça, Miguel Vieira da Silva, disse que não vê motivos para “uma cidade historicamente pacata” e “provinciana” receber presos que preocupam a Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Segundo o padre Paulo Roberto de Oliveira, a Arquidiocese de Campo Grande é a favor da distribuição dos criminosos entre os presídios federais. Ele afirmou que a posição da Igreja contra a concentração de criminosos em Campo Grande reflete a preocupação dos fiéis.
Os presídios federais foram criados para o combate ao crime organizado, isolando lideres de facções criminosas e presos de alta periculosidade.
As transferências – O Ministério da Justiça transferiu no fim de semana, em caráter emergencial, dez líderes de três facções criminosas dos presídios de Bangu I, Bangu III e Vicente Piragibe, do Rio de Janeiro, para a Penitenciária Federal de Campo Grande. São oito integrantes do Comando Vermelho, um da organização ADA (Amigos dos Amigos) e um do Terceiro Comando Puro.
A ação que contou com 130 profissionais, entre integrantes da Força Nacional, Polícia Federal, agentes penitenciários federais e policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) do Rio de Janeiro.
Os detentos ficam em celas individuais e em alas separadas do presídio, sem qualquer contato uns com os outros. Os novos “hóspedes” do Presídio Federal são Nei da Conceição Cruz (“Nei Facão”), Edgar Alves Andrade (“Doca”), Cássio Monteiro das Neves (“Cassio da Mangueira”), Márcio Silva Matos (“Marcinho A Muleta”), Roberto Ferreira Vieira (“Robertinho do Jacaré”), Jorge Alexandre Candido Maria (“Sombra”), Marcelo Soares de Medeiros (“Marcelo PQD”), Fábio Pinto dos Santos (“Fabinho São João”), Ocimar Nunes Robert (“Barbosinha”) e Claudecyr de Oliveira (“Noquinha”).
O Presídio Federal de Campo Grande já conta com o traficante Fernandinho Beira-Mar; com o “Batman”, da milícia chamada Liga da Justiça; e o Comendador Arcanjo, entre outros criminosos.

Campo Grande / Padom

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