Brazil Nightclub FireAssim que percebeu o início do incêndio que acabaria matando 231 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, Mariana Magalhães, de 24 anos, apressou-se em sair dali. E não foi sozinha: pelo caminho, agarrou quatro amigas e as ajudou a deixar o local. Já na rua, começou a ajudar os feridos, tentando reanimar os que estavam caídos, pedindo socorro, buscando água. Apesar do esforço, percebeu sua impotência diante da magnitude da tragédia quando passou a testemunhar a morte dos amigos, cujos corpos passaram a ser depositados na calçada.

“Eu não consigo nem me sentir feliz por ter sobrevivido. Quantas mães não vão poder abraçar seus filhos como a minha está me abraçando? Ao mesmo tempo, eu me sinto feliz e culpada. Ninguém viu o que a gente viu”, afirma.

Mariana também se voluntariou para fazer a identificação das vítimas no Centro Desportivo Municipal. “Ver as pessoas mortas não dói tanto quanto doeu assisti-los morrer aos nossos pés, sem nada podermos fazer. Nem a massagem cardíaca que fazíamos ajudava, porque estavam intoxicados”, relembra.

A jovem lembra que até mesmo vítimas que pareciam estar bem logo após deixarem a boate não demoraram em sentir os efeitos da fumaça tóxica. “As pessoas saiam andando e, daqui a pouco, caíam e começavam a convulsionar na tua frente”, conta. “Vi um amigo que conseguiu sair. Fiquei aliviada, dei um abraço nele, feliz por vê-lo bem. Mas ele logo deu entrada no hospital e morreu”.

Mariana, que estava trabalhando como fotógrafa no dia da festa, foi recolher seus documentos na delegacia de polícia, na tarde de segunda-feira. “Não consegui nem comer. Parece que tem uma pedra em cima de mim me sufocando”, descreveu.

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Veja / Portal Padom

 

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