“Imprensa brasileira tem visão estereotipada e preconceituosa dos evangélicos”, afirma jornalista da Folha ao comentar sobre Feliciano

225

suzana singerA jornalista Suzana Singer, do Jornal Folha de São Paulo, publicou no último domingo, (7), sua opinião sobre a cobertura que a imprensa brasileira tem dado ao caso em que o deputado federal Marco Feliciano, tem enfrentado diante da Comissão dos Direitos Humanos.

Suzana, que além de jornalista é ombusdsman do jornal, – cargo que confere a ela a obrigação de procurar excessos e falhas nas publicações do veículo  -, eu artigo intitulado “Santo ou Satanás?”, criticou a postura adotada pela maior parte da imprensa brasileira, que segundo ela tem uma visão ‘estereotipada e preconceituosa dos evangélicos’.

Ela começa seu texto lembrando que “Daniela Mercury, Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Yasmim Brunet… gente bonita e famosa já expressou, com palavras e beijos, o inconformismo com a permanência do deputado Marco Feliciano na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Cada um desses protestos ganhou amplo espaço na mídia.”

Suzana diz ainda que embora a Folha tenha publicada na semana passada uma entrevista com Feliciano e um artigo em que Malafaia o defende, o espaço que os evangélicos tem ainda é muito pouco diante das dezenas de textos negativos (reportagens, colunas e editoria), publicados desde que o caso estourou.

“Falta dar espaço às vozes dissonantes daqueles que criticam a cobertura da mídia e se recusam a entrar na corrente “anti-Feliciano””, escreveu Suzana, além de publicar algumas frases que a grande mídia não deu destaque.

Frases:

“Vivemos uma época de patrulhamento. A imprensa elevou o deputado à categoria de pop star. Estou me lixando para ele, mas não concordo com a forma como é tratado. O jornal não cita a profissão de nenhum parlamentar, mas Feliciano é sempre ‘pastor’, o que impõe uma carga pejorativa à palavra. Há um estereótipo do evangélico repetido à exaustão na mídia.” – Patrícia Marinelli, 41, advogada, São Paulo, SP

“Feliciano não é racista. Ele deu a sua visão teológica dos homossexuais e dos negros. Nas igrejas evangélicas, ajudamos a todos, não importa a origem ou a crença.

A imprensa só abre espaço para as críticas e pinça palavras isoladas para criar uma imagem desfigurada do deputado.

Feliciano foi eleito deputado pelo povo e foi escolhido para a presidência pelos seus pares. Os ativistas, nada democráticos, resistem à alternância de poder na comissão, que até então era dirigida por partidos de esquerda. Delito de opinião é o que os manifestantes estão fazendo, ao não respeitarem quem pensa diferente.” – André Luiz Pinho Gadêlha, 52, petroleiro e pastor evangélico, Parnamirim, RN

“Por mais que eu discorde da postura teológica de Feliciano, acho que sua permanência na Comissão é tão legítima quanto a de Renan Calheiros na presidência do Senado, a de Henrique Alves na Câmara e a de José Genoino e João Paulo Cunha na Comissão de Constituição e Justiça. Todos foram eleitos.” – Cristian Mesquita, 33, servidor público, Rio, RJ

“Se Feliciano fosse padre, a imprensa não faria esse estardalhaço. As posições do papa são até mais conservadoras, porque ele prega contra a camisinha e a pílula.
Não deram ao deputado chance de trabalhar, fazer alguma coisa, mostrar quem é. Ter opinião neste país ainda é crime.” – Samuel Lourenço, 68, servidor público aposentado, Franca, SP

“Há uma volta da patrulha ideológica. Tolerância e pluralidade significam debater todas as ideias.
Existe uma campanha invisível, porém sensível, para atrelar a figura genérica de qualquer pastor e qualquer evangélico às visões do deputado. É uma Inquisição, que visa tornar o termo ‘evangélico’ sinônimo de intolerante.” – Carlos Alberto de Paula, 52, tradutor, Miami, Flórida

“Tenho acompanhado as reuniões. A imprensa não critica a atitude dos manifestantes, que fazem de tudo para cancelar as sessões. Em nenhum momento a Folha foi atrás de saber quem são essas pessoas que estão numa quarta-feira à tarde protestando.” – Ademir Morata, 42, assessor de imprensa, São Caetano, SP

Suzana encerra seu artigo dizendo que Mesmo sem concordar com todas as críticas acima, é importante reconhecer que a cobertura do caso Feliciano ganhou ares de linchamento. E não há dúvida de que existe na grande imprensa brasileira uma visão estereotipada e preconceituosa dos evangélicos.”

Portal Padom

Deixe sua opinião