calorTrabalhar de terno e gravata em pleno sol escaldante, numa temperatura média de 35 graus, ninguém merece. Mas muitos trabalham, especialmente os advogados e pastores de igrejas evangélicas. Mas será que é mesmo preciso se vestir com tanto rigor? Eles acreditam que sim, embora admitam esperar que as indústrias têxteis fabriquem tecidos menos quentes, ou que se condicione a usar uniformes adequados com o clima tropical em que vivemos.

Por favor, nos incluam em suas orações, para que as indústrias se lembrem de nós e façam um tecido mais leve, implora o advogado Luiz Fernando Betti que, como forma de amenizar o calor, tirou ontem a gravata. Mas permaneceu com a camisa de manga longa e o paletó.

Ele explicou que a exigência em usar traje completo se dá em nome do decoro, sendo que até os juizes usam. Por não haver outro jeito, Luiz Fernando disse procurar ternos de microfibras, que são mais frescos.

Outro advogado, Alexandre Paschoal, também jovem, concorda que a roupa deveria ser adequada ao clima, e que portando poderia usar camisa de manga curta, por exemplo. Já o seu colega de trabalho, Antônio Santos, discorda. Se o advogado não se vestir socialmente não passará o respeito devido ao cliente. Um médico, por exemplo, se não usar branco, não passará a mesma confiança, acredita.

O presidente da Associação dos Advogados de Sorocaba, Antônio R. Figueiredo disse já ter se acostumado, após tantos anos de profissão, com a rotina do terno. Ele inclusive lembrou que antes de ser advogado, em 1949, trabalhava no funcionalismo público, e que naquele tempo, era necessário usar paletó. Mas ele observa que as mulheres devem aproveitar e usar roupas mais leves.

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Entretanto, se engana quem pensa que as mulheres, por poderem usar saias e vestidos estão livres do forte calor: a advogada Maria Luiza Oliveira contou que em dia de audiência é obrigatório o uso de traje social, e que normalmente tais modelos são quentes. Quando não tem que se apresentar diante de juiz, como ontem por exemplo, ela vai ao Fórum de bermuda. Porém, já chegou a ser barrada por isso.

Mas além dos advogados, outra categoria que sofre muito é também a dos pastores evangélicos. Exemplo disso é dado pelo pastor Flávio Antônio Correa Leite, da Catedral Evangélica de Sorocaba (CES), que aos domingos, quando realiza três cultos, precisa trocar três vezes de roupa. Questionado se não poderia usar uma camisa de manga curta, o religioso explica que é preciso passar aos fiéis uma postura de respeito e de seriedade. Já nos dias de semana ele tolera que se use uma roupa mais leve, e que, pelo forte calor que vem fazendo, já estuda criar um uniforme aos pastores com camiseta tipo polo.

Menos roupa nem sempre é o ideal

Também se engana quem pensa que usar menos roupa no trabalho é estar livre de sofrer com o calor. Prova disso são os guarda-vidas, que afirmam preferir o terno e gravata à calção e chinelo sob um sol de 35 graus. O guarda-vidas Bruno Alberto falou que é comum as pessoas acharem que sua profissão significa ficar apenas debaixo do sol, aproveitando a beira de uma piscina e olhando mulher bonita. Ledo engano. Segundo ele, não é fácil encarar um sol tão forte e sem nenhum vento.

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O colega de trabalho, Marcos Lara, acrescentou ainda que o advogado não corre o risco de adquirir câncer de pele, e destaca que outro dia, o piso da beira da piscina chegou a 50 graus, e que o guarda-sol também é quente para quem está sob ele.

Somente mesmo as vendedoras de roupas, Adriana Salomão e Luciana Pereira, podem dizer que trabalhar com menos roupa significa mais conforto. Ontem ambas vestiam shorts e blusas leves. Mas no caso delas é possível, pois utilizam as mesmas roupas comercializadas na loja em que trabalham, servindo até mesmo de vitrines. As duas, porém, só ponderam que é preciso cautela na escolha da roupa, para não correr o risco de cair na vulgaridade.

Fonte: Cruzeiro do Sul

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