Passamos horas entretidos em tarefas pouco proveitosas e assim nos distanciamos das coisas que realmente são essenciais

Temos vivido em uma época em que o tempo parece correr de forma desenfreada. Diariamente somos bombardeados por milhares de informações, e à medida que elas chegam até nós absorvemos grande parte delas sem fazermos nenhum tipo de análise. É como se nos tornássemos robôs, préprogramados, sem nenhuma capacidade para algum tipo de questionamento.

E é exatamente neste momento que a maioria de nós, muitas vezes, toma decisões impensadas, que acarretarão conseqüências significativas para nossa vida futura e para a estrutura familiar em que estamos inseridos, gerando também conseqüências para aqueles que estão à nossa volta.

Por diversas vezes temos vivido um padrão de vida totalmente contrárioao que Deus planejou para nós. Temos trocado a ordem das prioridades, considerando certos objetivos mais importantes do que aqueles que Deus realmente gostaria que considerássemos.

É o caso, por exemplo, de muitas mulheres, consideradas grandes líderes profissionais, que acabam deixando para segundo plano o sonho de constituir uma família e passado muito tempo vêem seu sonho não se concretizar, ou como o caso de um grande empresário que, tomado por inúmeras atividades no seu ramo profissional, dá muito pouco tempo ou quase nada dele para a família, deixando de acompanhar a infância e o desenvolvimento de seus filhos.

Por isso, é de extrema relevância que façamos uma análise de como temos vivido e o que verdadeiramente temos considerado importante. Muitas vezes perdemos tempo quando achamos que ganhamos. Passamos horas entretidos em tarefas pouco proveitosas para a nossa vida emocional e espiritual e assim nos distanciamos cada vez mais das coisas que realmente são essenciais. Deixamos que as nossas vontades e desejos sejam maiores que a vontade de Deus para a nossa vida e algumas vezes agimos por impulso e erramos.

No decorrer de nossa jornada passamos por diversas situações em que é necessário tomar decisões, e sempre que isso acontecer devemos nos perguntar: o que Deus faria em meu lugar? Será que a minha decisão é a mesma de Deus?

Por essa razão, precisamos tomar decisões baseados na Palavra de Deus, pedindo que Ele nos oriente e nos capacite a escolhermos o melhor, segundo a sua perfeita vontade. Devemos buscá-lo verdadeiramente, com inteireza de coração, sendo sempre constantes.

Uma recente pesquisa publicada pela revista Exame apresentou o retrato dos novos consumidores brasileiros, devido à recente escalada de uma grande quantidade de pessoas para classes superiores de consumo. A pesquisa revelou ainda que tal transformação ocorreu devido a algumas tendências que estão modificando a estrutura familiar, como o avanço desenfreado das mulheres no mercado de trabalho, a decisão cada vez mais freqüente de casais por não terem filhos e o crescente aumento do número de pessoas morando sozinhas. Tais situações impulsionam o mercado, fazendo com que esses consumidores tenham cada vez mais poder aquisitivo e conseqüentemente poder de compra.

Apesar de a pesquisa tratar a respeito das questões relativas ao consumo, podemos notar o quanto essa nova dinâmica na vida das pessoas algumas vezes é contrária àquilo que Deus havia anteriormente planejado para elas. Ainda segundo a pesquisa, o inegável avanço na estrutura econômica das mulheres tem reforçado um componente social e comportamental: as decisões de compra nas famílias estão cada vez mais nas mãos delas, fazendo com que o mercado dê uma atenção especial para este público.

É certo que esta nova mulher contribui e muito para o orçamento doméstico, mas é necessário avaliarmos até que ponto ela tem tomado decisões em seu lar e se as estas são tomadas junto com seu cônjuge, pois, segundo o padrão bíblico, Deus criou a mulher para que fosse uma auxiliadora do homem, a fim de que fossem apenas um.

A pesquisa apontou ainda o crescente aumento do número de pessoas vivendo sozinhas (por opção), o que reforça a questão da individualidade, atualmente tão proclamada pelos meios de comunicação. Constantemente ouvimos jovens dizendo que não pretendem se casar e muito menos dividir um teto com outra pessoa. Parece que este tipo de comportamento tem se tornado uma constante na vida das pessoas. Certamente ser independente é muito bom, mas creio que não querer dividir a vida com ninguém e optar por ser solitário seja algo que foge dos padrões estabelecidos por Deus. Encontramos na teologia uma questão muito interessante que é a vontade permissiva de Deus e a sua vontade perfeita. A vontade permissiva é aquela em

que o Senhor, mesmo não tendo planejado, permite que aconteça. Já a vontade perfeita é quando aquilo que Deus planejou acontece, ou seja, quando o homem cumpre o desejo do coração do Pai, quando está no centro da vontade de Deus. Por exemplo: a Palavra nos orienta que não devemos estabelecer relacionamentos com jugo desigual, ou seja, o melhor seria que um cristão sempre se casasse com um cristão. Infelizmente, nem sempre isso acontece e é justamente aí que entra a permissão de Deus. Embora não tenha planejado isso, Ele permite que esta situação aconteça, mesmo sabendo dos possíveis danos que poderão ser causados.

Os maiores homens de Deus foram aqueles que andaram segundo a vontade dele, que estabeleceram com o Senhor um relacionamento de amor e submissão. É o caso de Samuel, que ainda muito jovem ouviu a voz de Deus e se colocou à sua disposição, tornando-se um grande profeta, num período em que a palavra do Senhor era muito rara e as visões não eram freqüentes. E assim cresceu Samuel, e o Senhor era com ele e nenhuma de suas palavras deixou cair em terra, como está escrito no livro de 1 Samuel 3.20. É o caso também do apóstolo Paulo, que, dirigido pelo Espírito Santo de Deus, testemunhou em muitos lugares, levando a palavra do Senhor aonde quer que Ele o enviasse, sendo até apedrejado, rejeitado e preso. Paulo tornou-se um fiel seguidor de Cristo, um missionário totalmente dedicado e um líder respeitado na Igreja Primitiva. Ele sabia qual era a vontade de Deus para a sua vida e permitiu que Ele planejasse seu futuro entendendo com obediência sua vontade.

Assim como Paulo, precisamos estar diante de Deus. Precisamos estar sujeitos à sua vontade, a buscá-lo, a fim de conhecermos seus projetos para nossa vida.

Jesus, ao proferir a oração do Pai Nosso, em Mateus 6.10, encorajou a todo aquele que crê em Deus a aceitar com alegria aquilo que Ele preparou, entendendo que tudo colabora para o bem daqueles que amam a Deus. Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome. Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu… Quando fazemos esta oração estamos anelando sinceramente que a vontade e o propósito de Deus se cumpram em nossa vida e na vida de nossa família. Por isso, precisamos fazer as escolhas certas, renunciando aos nossos desejos, caso não estejam de acordo com os de Deus.

Toda vez que tomarmos uma decisão, precisamos, antes de tudo, buscar a Deus e a sua Palavra, pedindo a Ele que nos oriente. Muitas vezes somos pressionados a tomar decisões rapidamente

e não respeitamos este tempo de busca ao Senhor e acabamos fazendo escolhas erradas.

Devemos avaliar todos os fatores: as conseqüências, os benefícios, os malefícios, as mudanças que tal decisão ocasionará, se outras pessoas envolvidas poderão sofrer algum tipo de dano… Enfim, nossas decisões devem ser tomadas sempre à luz da Palavra e o nosso coração deve estar alicerçado no Senhor e na vida abundante que Ele nos prometeu.

Em Mateus 6.19-21 encontramos Cristo falando a respeito da solicitude pela vida. Ele afirma que onde estiver o nosso tesouro, aí estará o nosso coração. Portanto, precisamos descobrir onde está o nosso coração. Se está em Deus, na família, no emprego, nas coisas materiais que adquirimos, nas futilidades da vida… só assim saberemos quais as mudanças necessárias que precisaremos fazer e o que devemos priorizar. Dessa forma, começaremos a entender também se estamos permitindo que Deus realize a sua vontade em nós, pois certamente ela é boa, perfeita e agradável.

Deus escreveu uma história diferente para cada um e certamente se alegra quando compreendemos que Ele tem o melhor para a nossa vida, pois seu amor é incondicional e sem limites. Para cada situação há uma resposta de Deus. Precisamos apenas saber ouvi-la, entendendo que somente Ele tem o melhor para nos dar.
Tania Cecilia Fernandes Moraes

Revista LarCristão / Padom

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