Acção promovida pela plataforma a favor do referendo agrada à Igreja Católica
Os defensores do referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo vão sair à rua no dia 20, numa manifestação a favor da família. A acção é promovida pela Plataforma Cidadania e Casamento, um grupo de cidadãos, onde estão muitos católicos, que entregou no Parlamento a petição com mais de 90 mil assinaturas a pedir uma consulta popular. A Igreja apoia a iniciativa e apela aos católicos para que participem.“Acreditamos que esta acção pode mudar o rumo das coisas, porque são pessoas concretas, famílias inteiras, e jovens indignados, que vão até ao fim das suas forças para mostrar que esta lei proposta pelo Governo está errada, foi escondida a todos, e nunca se falou das suas verdadeiras consequências”, explicou ao DN Sofia Guedes, da organização da acção.
No dia 20, os manifestantes vão descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa, e terminam o protesto com uma pequena festa na Praça dos Restauradores. A plataforma acredita que “milhares” de pessoas vão aderir a esta acção pública, até porque mais de 90 mil subscreveram a petição a exigir o referendo.
Sofia Guedes sublinha que a manifestação é promovida por “cidadãos comuns” e garante que esta “não olha a credos, raças ou condições sociais ou etárias”. Mas a Igreja Católica já aplaudiu a iniciativa da sociedade civil.
“A Igreja alegra-se com qualquer iniciativa que defenda os valores da família e do casamento, e que ultrapassam as fronteiras da Igreja. Os católicos devem participar porque, assim, estarão a defender esses princípios que são fundamentais para a Igreja”, disse ao DN o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Morujão. Questionado sobre se, tal como ocorreu em Espanha, os membros da hierarquia da Igreja também sairão à rua em protesto, Manuel Morujão disse ser “impossível prever uma situação dessas”. Mas sublinhou que, mesmo não sendo uma organização da hierarquia da Igreja, as pessoas têm liberdade para se mobilizar a nível local, por exemplo, nas paróquias, “sem terem de pedir autorização à hierarquia”. No entanto, Manuel Morujão acredita que os bispos venham a tomar uma posição na reunião do próximo dia 9.
A Igreja tem criticado a proposta do Governo, considerando que vai contra os valores da família. Mas, embora alguns bispos se tenham mostrado favoráveis à realização do referendo, a conferência episcopal nunca assumiu uma posição de força nesse sentido.
As iniciativas têm partido sempre da sociedade civil, que se organizou numa plataforma onde estão também, por exemplo, os cristãos evangélicos. Uma nova petição posta a correr questiona os deputados sobre quantas assinaturas são necessárias para convocar um referendo.

DN Portugal / Padom

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