“Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim” (Sl 51.3)

Houve um dia tremendamente escuro na vida de Davi. Tinha prosperidade, sucesso, bênção, poder, fama e fortuna, e essas coisas podem ser uma tentação pior que a adversidade. A tentação de Davi veio na forma de uma linda mulher que se banhava numa casa próxima. A história é contada em 2Samuel 1.11. Seu nome era Bate-Seba, filha de Eliã, e esposa de um oficial do exército israelita.O pecado do adultério levou-o a outros pecados, ou como diz Jeremias, “destruição sobre destruição” (4.20a), ou os filhos de Corá, “um abismo achama outro abismo” (Sl 42.7a). E, assim, o adultério trouxe o planejamento da morte do inocente General Urias, esposo de Bate-Seba.Graças a Deus, a história de Davi não fez ponto final no pecado. Houve todo um processo de arrependimento, de confissão, de pranto, e de quebrantamento, que está registrado no Salmo 51:
“Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos. Purifica-me com hissipo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, pra que se regozijem os ossos que esmagaste. Esconde o teu rosto dos meus pecados, e a paga todas as minhas iniqüidades. O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (vv 1-4a, 7-9, 17).

NOSSOS PECADOS

É como diz Watchman Nee, “todos temos algum pecado particular que nos atrapalha”. Alguns ficam perturbados por eles, e outros nele caem. Pode ser o orgulho, o ciúme, o mau gênio, a mesquinhez, a concupiscência da carne. É o crente que tem em si o conhecimento da verdade de Romanos 6. 14a (“pois o pecado não terá domínio sobre vós”), mas não a põe em prática.

Nem sempre os pecados são ativos porque existem os de omissão. Há quem prefira ouvir cinqüenta sermões, e não praticar um deles sequer. Há quem prefira a Novela das Oito ao Culto de Oração do meio da semana. Há quem prefira criticar o pastor, a liderança da igreja ou o professor da Escola Bíblica a orar pelo seu sucesso. Há quem considere preferível falar de mil pecados no seu irmão a mortificar um só pecado em si próprio. Jesus considera isso tão sério que ensina no Sermão do Monte, “E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?” (Mt 7.3).

A verdade é que as tentações do crente são as tentações de Jesus Cristo: “Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb 2.18), porque antes de ser uma luta carnal é espiritual (cf. Ef 6.12). A Moisés, o príncipe, foi oferecido o poder, honras, glórias e riquezas do Egito. No entanto, Moisés, “recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter por algum tempo o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa” (Hb 11.24b-26). A Daniel, as facilidades, bens e vantagens do palácio real da Babilônia. No entanto, “Daniel, porém, propôs no seu coração não se contaminar com a porção das iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; portanto pediu ao chefe dos eunucos que lhe concedesse não se contaminar” (Dn 1.8).

O crente que luta contra as antigas paixões e os apetites naturais que desejam sobrepujar a graça do Espírito é feito herdeiro de Deus, companheiro de Jesus Cristo na herança do Pai (cf. Rm 8.17) e compreende o valor do invisível: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas” (2Co 4.18).

O IMPORTANTE É PREVENIR
O importante é prevenir, e um modo de o crente evitar o pecado é não dividir a vida em duas áreas: a sagrada e a secular. Nossa unidade interior, a unidade do corpo e espírito se desintegrará se o fizermos, pois não se pode separar o secular do sagrado na vida cristã. Daí o cairmos em pecado. Pecamos quando esquecemos que somos filhos de Deus, que somos lavados pelo sangue de Cristo, ungidos pelo Espírito, aceitos na comunhão dos santos, e feitos sacerdotes do Deus Altíssimo, povo santo, propriedade exclusiva de Deus, e agimos no “secular” dicotomizado, separado do “sagrado”. Tentar fazê-lo constitui-se no que se chama pecado. O uso indiscriminado dos instintos humanos, sua corrupção, seu desregramento não honram a Deus: é pecado!

O importante é prevenir! Nesse sentido, João escreveu sua primeira Carta: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis” (1Jo 2.1a). A Bíblia atesta com numerosos e dolorosos exemplos que o pecado é universal. Ninguém pode escapar, e quem disser que não peca é mentiroso (cf. 1Jo 1.8, 10). Apesar disso, há perdão mediante o que Cristo fez e faz pelo ser humano. Alguém pode até querer pensar levianamente sobre o pecado, “se todos pecamos, qual é a vantagem em lutar contra o que é parte inevitável de nossa experiência como pessoas humanas?” E aí João nos ensina duas coisas: o crente em Jesus Cristo é uma pessoa que veio a conhecer a Deus, por isso deve ser obediente; e aquele que diz que permanece em Deus e em Jesus Cristo (v. 6) deve viver o mesmo tipo de vida que Jesus viveu: deve ser imitador de Jesus Cristo.

A vida de santidade é um equilíbrio entre a ética e a experiência, a teoria e a prática; equilibramos a crise e o processo, o quebrantamento e o levantar-se. Então, não é apenas a fórmula simplista: eu-erro; peço-perdão; tudo-fica-bem; volto-à-vida-leviana; peço-perdão; etc. A fórmula há de ser: se-eu-erro, eu-me-quebranto; peço-perdão; sou-perdoado; cresço; digo como Paulo, “esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13b, 14).

UM PASSO ALÉM DO PECADO
Tudo começa com a tentação, que, aliás, tem um roteiro:

ela chama a atenção,
cria interesse,
forma desejos e
leva à ação.


Nesse caso, que fazer quando vier a tentação? George Foster em artigo sobre o assunto diz, “Mude de canal”. Quer dizer, depois de conhecer as fontes da tentação, “Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta. Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência; então a concupiscência havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte”. (Tg 1.13-15), fique longe delas, “mude de canal” como quando não quer ver um comercial na TV, e aprenda a resistir-lhe (cf. Tg 4.7).

E havendo pecado, que fazer? Todo e qualquer pecado entristece o Espírito Santo (Ef 4.30), mas a Bíblia sempre fala em oferta:

para o descrente, oferta de perdão para os pecados;
para o crente, oferta de perdão para a queda,
e sempre através da confissão (1Jo 1.9). Não entendo como há crentes que não sentem o peso da mão de Deus. Às vezes, o peso é duro, “Enquanto guardei silêncio, consumiram-se os meus ossos pelo meu bramido durante o dia todo. Por que de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio” (Sl 32.3,4): uma dor constante da alma.

Em havendo pecado, que fazer? Voltemos a 1João 2.1b, “Se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo”. João está escrevendo a crentes, e para o crente há um remédio para o pecado: um advogado que é Jesus Cristo, o Justo, O propósito de João é claro: impedir o pecado, não desculpá-lo, pois horror ao pecado, ódio, repúdio impregnam toda a carta. Jesus ensina “não pequeis mais”; assim disse ao paralítico do tanque de Betesda (cf. Jo 5.14), e à adúltera de Jerusalém (cf. Jo 8.11). Mas, “se alguém pecar”, se houver um fracasso moral, desonestidade, qualquer que seja o nome do pecado, deve haver confissão, razão porque Agostinho disse, “a confissão de obras más é o primeiro começo de boas obras”. Devemos olhar para Cristo e para a Sua morte: “Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5.10).

Reconhecê-Lo ao nosso lado. Aliás, isso é o que significa ser o nosso advogado (a palavra é paráclito = alguém chamado ao lado para dar conselho, ajuda e representação). Ou, voltando à fórmula, se-eu-erro, eu-me-quebranto; peço-perdão; sou-perdoado; cresço; e digo como Paulo: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3. 13, 14), e avanço para a nova experiência de crescer no caminho da santificação. Amém!

por: Walter Santos Baptista, Pastor da Igreja Batista Sião em Salvador, BA

 

Biblia World Net / Portal Padom

Deixe sua opinião