Devemos, em princípio, notar que entre uma narrativa e outra, muito tempo decorreu e que a semelhança entre as letras hebraicas “zain” e “vav” que correspondem aos números sete e três respectivamente, pode ter gerado uma discordância na tradução, tanto mais que as Crônicas podem ter sido baseadas em escritos anteriores e não na redação de textos exclusivos.

Essa observação, a nosso ver, não deve, contudo, ser tomada ao pé da letra para que não se incorra na negação da inspiração divina das Sagradas Escrituras e na sua autoridade. “O número sete tem uma posição eminente entre os números sagrados da Bíblia e está associado com algo completo, com cumprimento, com perfeição” (Novo Dicionário da Bíblia -Douglas). A sua citação em 2 Samuel, parece incutir a idéia de que a escolha de Davi seria conclusiva, levada por Deus ao extremo e a sua responsabilidade seria tremenda, por ter desagradado a Deus com um ato que até na opinião do seu general – Joabe – pareceu supérfluo, e abominável, a ponto de este omitir a contagem de duas facções: 1 Cr 21.3,6.

A alma de Davi, porém, estava realmente atribulada e a sua experiência com Deus fê-lo preferir que o castigo viesse diretamente de Deus, “pois grandes são as suas misericórdias”. Devemos aprender com esta sua decisão que por mais penosas que nos pareçam as tribulações, elas serão atenuadas pelas misericórdias do Senhor. Seriam muitas as citações em que o número sete representa a perfeição dos atos divinos. Quanto ao número três, citado em 1 Crônicas 21.12, além da sua fortíssima alusão à Trindade, também é associado com poderosos atos de Deus e à presteza com que os realiza ou quer realizar. Aqui, o número três seria a confirmação de que não somente os atos de Deus são perfeitos, mas que são atos poderosos e que Deus tem mesmo poder para executá-los, além da autoridade que vem dele mesmo e da sua natureza poderosa.

A duplicidade de termos, que nos parecem discrepantes, fortalece ainda mais a inspiração das Escrituras, que afirmam a perfeição dos atos divinos e o seu fiel cumprimento em 2 Samuel e os reafirma como atos poderosos e competentes nas Crônicas, escritas muitos anos depois. Embora não sendo conhecido o autor dos livros de Samuel, é aceito que ele mesmo os tenha escrito e que foram completados por Gade e Nata, os quais também teriam depois escrito os dois livros  de  Crônicas – que originalmente eram unificados – baseados nas anotações já existentes, revistas e aumentadas, ou, pelo menos, mais aclaradas. Podemos inferir do exposto que as duas citações são válidas, observando-se o ponto de vista de quem possa ter escrito e o uso que faz dos números bíblicos e seus significados.

Extraído do Livro: A Bíblia Responde

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