Partida entre Sub-20 do Santos e Bope foi a primeira do batalhão da PM-RJ contra um clube
Partida entre Sub-20 do Santos e Bope foi a primeira do batalhão da PM-RJ contra um clube

O provável futuro do Santos, já em campo, aguardava por um time diferente até na oração de vestiário: “procuramos defender os indefesos e libertar os escravizados”. O jogo envolvendo a equipe Sub-20 do clube, na tarde do último domingo, não seria comum. Na entrada do gramado, o adversário logo ficou evidenciado: uniforme todo preto, além de distintivo e bandeira com uma faca na caveira. Era o temido Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro).

A partida, no entanto, somente beneficente, organizada por um grupo de policiais evangélicos, os “PMs de Cristo”, foi conduzida em ritmo amistoso, contou com poucas surpresas e ainda teve parte dos bordões eternizados pelo Capitão Nascimento, personagem central dos filmes Tropa de Elite.

“Missão dada é missão cumprida”, disse o sargento Marcos Campello, espécie de auxiliar técnico na partida, que ainda confessou: “(nos jogos) as pessoas falam algumas coisas para brincar, descontrair, já chegamos a ouvir o ‘pede para sair’ e o ‘nunca serão'”.

Foi a primeira exibição do Bope contra um clube, um chamado de última hora, com “dez desfalques”, segundo Campelo. O time viajou por oito horas em um carro do Rio de Janeiro até Santos com apenas 12 jogadores, um reserva.

A diferença ficou evidente. O Santos precisou de 12 minutos para marcar o primeiro gol e deslanchar debaixo de sol a pino no CT Rei Pelé. Foi 4 a 1 só no primeiro tempo, 7 a 1 no placar geral.

“(No vestiário) comentaram: ‘é o Bope, só tem cara forte’. Falei para irmos para cima que não tinha isso, não. No fim, eles que pediram para sair”, provocou o atacante Diego, autor de um gol e uma assistência.

O jogo foi calmo, marcado por pedidos para diminuição de ritmo. “O Mathias aqui não para. Vai devagar, Mathias”, disse um zagueiro do Bope, comparando um atacante santista a André Mathias, personagem de André Ramiro nos filmes.

O gol solitário dos “caveiras” saiu em perda de bola de Caíque na defesa santista. O lateral foi substituído e ouviu broncas direcionadas de seu técnico, Pepinho, filho do ex-ponta Pepe, à beira do gramado. “Pode errar, mas não pode brincar, tem que ter seriedade. O Bope não veio aqui para brincar e temos que respeitá-los”, relatou o treinador.

A partida, iniciada com “oração caveira”, conduzida às brincadeiras e com direito a “pede para sair” santista acabou sem problemas ou chegadas mais ríspidas, ao estilo do Bope. Segundo o sargento, os policiais retornaram para o Rio sem castigo pela derrota por 7 a 1. “São 8 horas de viagem, quer mais?”

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