Igreja Evangélica Gay sofre série de Ataques Homofóbicos

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A Igreja da Comunidade Cristã Nova Esperança (CCNE) de Fortaleza vem sofrendo vandalismo com pichações de cunho homofóbico desde agosto deste ano, segundo a polícia. A igreja é conhecida por agregar a comunidade gay, público que compõe 99% de seus seguidores. Cerca de 60 integrantes receberam ameaças de morte, disse pastora.
Representantes da Igreja Comunidade Cristã Nova Esperança denunciaram, nesta terça-feira (14), uma série de ataques homofóbicos sofridos desde agosto, em Fortaleza. Segundo a pastora Sara Cavalcante, responsável pela igreja na capital cearense, cerca de 60 frequentadores foram ameaçados de morte e o muro do templo religioso apareceu com pichações várias vezes. O local é conhecido por pregar a inclusão social, a diversidade sexual e atua diretamente com pessoas da comunidade LGBT. O último ataque ocorreu nesta quarta-feira (8).
“Somos uma igreja evangélica, pentecostal e inclusiva, só que o diferencial é que nas outras igrejas os homossexuais têm certa dificuldade de desenvolver sua área espiritual”, disse Sara, que se reuniu nesta quarta-feira (15) com integrantes da Câmara de Veradores de Fortaleza para apresentar um dossiê com relatos dos ataques sofridos por integrantes da igreja. Nesta terça, ela participou de um encontro com a Coordenadoria da Diversidade Sexual da Secretaria Municipal de Direitos Humanos para pedir ajuda. “Eles nos ofereceram ajuda jurídica e apoio para atuarmos em conjunto de forma educativa e preventiva na região”, afirmou Sara.
São aproximadamente 60 membros, muitos deles homossexuais, que se sentem constrangidos e amedrontados com a situação. “Escutamos os xingamentos vindos lá de fora e vemos o prédio ser danificado, mas não temos ideia de quem seja. Termina a reunião e sai todo mundo junto para se proteger. Temos receio pela nossa integridade física. Não sabemos do que eles são capazes”, comenta um dos membros, que não quis se identificar. A presbítera e advogada Daniela de Oliveira
São aproximadamente 60 membros, muitos deles homossexuais, que se sentem constrangidos e amedrontados com a situação. “Escutamos os xingamentos vindos lá de fora e vemos o prédio ser danificado, mas não temos ideia de quem seja. Termina a reunião e sai todo mundo junto para se proteger. Temos receio pela nossa integridade física. Não sabemos do que eles são capazes”, comenta um dos membros, que não quis se identificar. A presbítera e advogada Daniela de Oliveira disse que ainda esta semana oficiará os órgãos públicos competentes sobre o problema e pedindo apoio político e de organizações civis organizadas. “Mais importante do que uma atitude repressiva é a busca pelo fortalecimento dos direitos humanos”, ressalta. Ela acrescenta que este é o primeiro caso de preconceito sofrido pela Comunidade Cristã Nova Esperança. A igreja está há três anos em Fortaleza. No Brasil, existem mais 10 – em São Paulo, Natal, Recife e São Luís.
A coordenadoria de Diversidade Sexual, da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), está acompanhando o caso. “Uma das solicitações feitas foi a mediação com a comunidade que mora próxima à igreja. Já encaminhamos para o Centro de Referência e estamos nos articulando para saber a melhor forma de ajudar. É lamentável que isso esteja ocorrendo”, diz o coordenador de Diversidade Sexual da SDH, Orlaneudo Lima.

Cronologia
Segundo a igreja, no mês de agosto deste ano, o prédio do templo foi apedrejado, o muro foi pichado com mensagens homofóbicas e os cadeados, entupidos. No começo de novembro, rapazes insultaram e fizeram ameaças de morte contra os frequentadores da igreja na saída de um dos cultos. No fim de novembro, um grupo de rapazes ameçou atear fogo ao prédio da igreja. O último ataque aconteceu na semana passada, quando jogaram urina na porta do prédio.

Vizinhança
Pelo bairro, muitos moradores evitaram comentar o assunto e se restringiam a comentar que não havia incômodo com a realização dos cultos pela Comunidade Cristã Nova Esperança. O comerciante Eraldo Carneiro, 56, trabalha em frente à igreja e atentou que o seu estabelecimento também tem sido alvo de muitas pichações – entretanto, sem motivações homofóbicas.
“A rua toda está sofrendo com essas ações de vandalismo. Acho que não são os moradores do bairro que se incomodam com a presença deles (membros da igreja) por aqui não”, disse.

Providências
“Notificamos o Ministério Público para acompanhar o caso para encontrar os responsáveis pelos ataques homofóbicos. Além disso, queremos desenvolver uma ação educativa na comunidade próxima da igreja e prevenir novos ataques. Vamos atuar junto com lideranças do bairro”, disse Luanna Marley, coordenadora do Centro de Referência LGBT de Fortaleza.
Segundo Sara, um Boletim de Ocorrência foi registrado no 3º Distrito Policial de Fortaleza relatando os ataques. “A nossa preocupação é a preservação da integridade dos frequentadores da igreja. Cobrimos a pichação, mas não pintamos o muro para evitar que sejam feitas novas pichações. Defendemos toda a liberdade sexual e não fazemos distinção de cor de pele ou orientação sexual. As portas da igreja sempre estarão abertas”, disse a pastora.
Luanna disse que vai encaminhar um ofício para a Secretaria de Segurança Pública do Estado, pedindo investigação criminal. “Também vamos acionar o setor de Enfrentamento aos Crimes de Ódio da Polícia Federal”.

Direito
O artigo 5º da Constituição Federal estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo a proteção aos locais de culto. O Projeto de Lei 122, que criminaliza a homofobia, ainda não foi aprovado no Senado Federal.

Do Padom: “Acredito que não são evangélicos que estão fazendo estas pichações. Mas sim pessoas não compromissadas com o Verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo! Não aceitamos a pratica homossexual, porque a Palavra de Deus não aceita, mas também não devemos aceitar vandalismos como essas pichações! Oremos e pregamos a verdade a esses gays e vadalos! ”

Com informações O Povo Online / Estadão / G1 / Jornal Agora / O Galileo / Portal Padom

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