Em entrevista à emissora ABC, pais de David Turpin se disseram “surpresos e chocados” com acusações contra o filho, e contaram que família parecia “feliz”.

Os pais das 13 crianças e jovens mantidos em cativeiro na cidade de Perris, na Califórnia, eram pessoas extremamente religiosas e que acreditavam que Deus havia ordenado que eles tivessem uma família numerosa.

O relato foi feito pelos pais de David Turpin à emissora americana ABC. Em entrevista, James e Betty Turpin disseram ainda que estão “surpresos e chocados” com as acusações contra seu filho e sua nora, Louise.

As autoridades fixaram uma fiança de US$ 9 milhões para os dois, denunciados por tortura, cárcere privado e por colocar os filhos em risco.

A família foi encontrada depois que uma das filhas do casal, uma jovem de 17 anos, fugiu da casa no domingo (14) e chamou a polícia. A adolescente telefonou para o serviço de emergência 911 de um celular que encontrou na residência.

A adolescente, que estava “magérrima” e parecia ter apenas dez anos, segundo a polícia, “afirmou que seus doze irmãos e irmãs eram mantidos em cativeiro na casa por seus pais, detalhando que alguns estavam acorrentados”.

Ainda não se sabe por quanto tempo os filhos – com idades entre dois e 29 anos – foram mantidos em cativeiro.

James e Betty Turpin, que vivem em West Virginia, contaram que sua última visita à Califórnia foi há cinco anos, e que a família aparentava estar feliz. Ainda em entrevista à ABC, os dois contaram que os filhos do casal foram educados em um esquema “muito rigoroso” de educação domiciliar, e que costumavam memorizar longas passagens da Bíblia.

Interrogados pela polícia, os pais não puderam “dar qualquer explicação razoável sobre por que motivo mantinham os filhos acorrentados”, segundo autoridades.

As vítimas foram alimentadas e estão recebendo tratamento, enquanto os serviços de defesa da infância abriram uma investigação. Não há informações sobre o estado de saúde dos filhos do casal.

Vizinhança

Kimberly Milligan, vizinha dos Turpin, disse ao jornal “Los Angeles Times” que muitas coisas eram estranhas “naquela família”: as crianças “eram muito pálidas, tinham o olhar vazio e nunca saíam para brincar, apesar de serem numerosas”.

“Eu achava que eles estudavam em casa”, algo relativamente frequente nos Estados Unidos, acrescentou Milligan. “Sentíamos que havia algo estranho mas não queríamos pensar mal daquela gente.

A família

David Turpin aparece no registro do Diretório Escolar da Califórnia como diretor do colégio particular Sandcastle Day School, inaugurado em março de 2011, cujo endereço é o mesmo da residência dos Turpin, segundo a CNN.

A escola teria apenas seis estudantes, com idades entre 10 e 18 anos, segundo os últimos dados do departamento estadual de educação.

Os Turpin declararam falência no mesmo ano em que abriram a escola, com uma dívida acumulada entre US$ 100 mil e US$ 500 mil, revelam documentos judiciais citados pelo jornal “The New York Times”.

O jornal assinala que no momento David Turpin trabalhava como engenheiro para o grupo de defesa Northrop Grumman, com um salário anual de US$ 140 mil. Louise é dona de casa.

Uma página do Facebook com o nome de David-Louise Turpin traz uma foto dos dois no que parece ser uma cerimônia de casamento.

Louise Turpin está com um vestido branco, David aparece de terno e o casal é rodeado por 13 crianças ou jovens. As meninas, de cabelo longo e castanho, estão com o mesmo modelo de vestido púrpura com estampado escocês, exceto uma bebê, vestida de fúcsia. Os meninos aparecem todos como o mesmo corte de cabelo de David Turpin.

O casal aparece diante de um homem vestido como Elvis Presley segurando um microfone, como nas cerimônias de casamento “kitsch” de Las Vegas.

Outra foto, de abril de 2016, revela David e Louise Turpin rodeados de 13 jovens, todos sorridentes, com jeans e camisas vermelhas.

Em uma das fotos, a bebê está vestida com uma camiseta onde se pode ler: “Mamãe me ama”.

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