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bibliacelibatoCELIBATO CLERICAL – UM MAL NECESSÁRIO?

Veja nas reportagens abaixo como o dogma do celibato tem, através de todos estes séculos de existência do catolicismo, arrasado com a vida moral de seus sacerdotes (cf. casos de pedofilia). A Palavra de Deus não deixa dúvidas quanto a vontade de Deus para os pastores e bispos: “É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar…alguém que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, tendo filhos crentes que não sejam acusados de dissolução, nem sejam desobedientes.” (I Timóteo 3:2 – Tito 1:6)

Obs: As reportagens abaixo foram extraídas da revista “Isto É” de 1996-2000.

Segredos inconfessáveis

“O livro Gone with the wind in the Vatican continua incomodando a Igreja Católica. Escrito pelo monsenhor Luigi Marinelli, com a autoridade que ele tem de ex-chefe da Congregação das Igrejas do Leste, a obra revela supostos segredos inconfessáveis da cúpula eclesiástica: brigas pelo poder, homossexualismo e quebra de celibato. Na capa do livro vem escrito: “É hora de a igreja pedir perdão a Cristo pelas diversas infidelidades e traições de seus ministros, especialmente daqueles que ocupam altos cargos na hierarquia do Vaticano.” Marinelli está sendo agora processado por difamação. Entre outras histórias, o livro fala de dois bispos: um teria sido surpreendido pela polícia num carro, seminu e com outro homem; o outro bispo teria se apropriado de dinheiro dos fiéis para sustentar um filho por ele não reconhecido.”

A história da moral

A imposição do celibato surgiu no ano 306, com abrangência restrita à Espanha, no Concílio de Elvira. O casamento foi proibido para todos os religiosos. Pouco depois, em 314, o sínodo de Ancira permitiu o casamento dos diáconos (clérigo que vem abaixo do padre), legítimo até hoje. Com o papado de Gregório VII, na segunda metade do século XI, as investidas da Igreja em favor do celibato radicalizaram-se. Gregório, moralista, repudiava envolvimentos afetivos de representantes do clero. A maioria dos papas seguintes reafirmou o celibato e, entre 1537 e 1563, durante o Concílio de Trento, o celibato se tornou obrigatório em todo o mundo.

A esperança estava no Concílio Ecumênico do Vaticano II. Sensibilizados pela Teologia da Libertação e pela onda de renovação que varreu a Igreja nos anos 60, muitos acreditavam na revogação do celibato, como Máximo IV, patriarca das igrejas do Oriente. Em carta para o papa Paulo VI, Máximo capitalizava as perdas iminentes. Muitos abandonaram o sacerdócio após o encerramento do Concílio, em 1965, desolados perante a postura irredutível de Paulo VI. Tão irredutível quanto parece ser João Paulo II.

CELIBATO CLERICAL – A Tentação

Freiras e padres não podem casar. São proibidos de ter filhos e de manter relações sexuais como qualquer mortal. Ao abraçar a vida religiosa, homens e mulheres assumem os compromissos do celibato e da castidade, indissociáveis do sacerdócio desde o século IV. Mas será que os votos são sempre respeitados? Há pouco mais de duas semanas, o padre Miguel Rivera Sánches Pardo abalou a opinião pública ao ser flagrado transando com a freira Marlene Quispe Tenorio na caçamba de uma caminhonete, em Callao, no Peru. Notícias como essa surgem com frequência, invariavelmente alçadas à condição de escândalo. Muito se especula sobre os desejos e as tentações dos cordeiros de Deus, sobre o que acontece nas celas de mosteiros e conventos quando a noite cai. Raramente os fatos são encarados com o olhar de quem vive o dilema entre o celibato imposto e os próprios sentimentos. Foi o que fez a maranhense Anna França. Destemida e temida por setores do clero, a ex-freira franciscana de 42 anos resolveu mostrar ao mundo que, ao contrário dos anjos, os religiosos têm sexo. No livro Outros hábitos (Editora Garamond), lançado este mês, Anna conta seu romance com Heloar (nome fictício), então madre superiora de um convento em Belo Horizonte. Não fosse o peculiar namoro entre duas religiosas, a obra seria apenas mais uma história de amor entre duas mulheres. Até os direitos autorais do livro foram comprados para virar peça de teatro. “Minha intenção não é chocar, mas apenas contar minha história”, diz Anna. Ela resolveu escrever após diagnosticar um câncer na mama e outro no útero, hoje controlados.

Atração – Anna decidiu seguir a vida religiosa quando era interna no Colégio Divina Pastora, mantido por freiras em São Luís do Maranhão, aos 16 anos. Na época, os votos de castidade e pobreza não incomodaram. Aos 20 anos, noviça no Rio de Janeiro, Anna começou a sentir uma estranha atração pelas colegas, mas, como aprendera desde cedo que sexo era pecado e homossexualismo sacrilégio, nunca comentou com ninguém. “Chegava a ficar 15 dias em total silêncio, afastada, para ver se aquilo passava”, lembra. Evidentemente, não passou. Mas ficou adormecido. Mais tarde, Heloar confessaria a ela o emprego de inibidores de libido, remédios misturados na comida das noviças sem que elas soubessem. Aos 24 anos, desencantada com o tratamento rude dispensado por sua madre superiora – que a discriminava por ser pobre e negra -, Anna aceitou o convite de Heloar, da ordem franciscana de Belo Horizonte, e mudou-se para lá. Desde o início, as duas ficaram amigas e logo começaram um namoro. O romance durou quatro anos. “Foi a época mais feliz de minha vida”, considera.

A ex-freira tem certeza de que as outras sabiam de seu relacionamento, da mesma forma como notava vários casais de namoradas nas instituições por onde passou. Nunca houve repreensão a elas, principalmente por dois motivos. “Heloar era a autoridade. Além disso, a família dela era riquíssima e fazia doações para a Ordem, que não ousaria se queixar de sua conduta”, conta Anna. O relacionamento só acabou quando a superiora foi transferida para a França. Pouco depois, a autora deixaria a Igreja. Hoje, sua luta “é contra a hipocrisia da instituição”. “As comunidades têm padres e freiras cada vez mais idosos. Daqui a pouco, desaparecem. A Igreja espanta devotos com suas políticas ultrapassadas”, acredita. “Todo mundo é resultado de uma relação sexual. O dia em que a Igreja descobrir que o gozo é divino vai cair em si.”

Ricardo Giraldez

“Gostaríamos de que o clero permitisse o fim do celibato” Mauro de Queirós, ex-padre, casado com Regina

O romance de Anna ilustra um desvio de conduta presente no cotidiano da Igreja. Outros exemplos não faltam. Como trabalho de conclusão do curso de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, Solange Celere apresentou, em 1997, a obra Doze apóstolos no confessionário, contando experiências sexuais e amorosas de sacerdotes. Para ela, investigar um assunto tão polêmico em uma instituição mantida pela Igreja constituía um grande desafio. Padres com vida sexual ativa, casados ou não, heterossexuais ou gays, formam o elenco de 12 religiosos que apresentam seus relatos na obra de Solange, ainda não publicada. Todos estão protegidos por nomes falsos, os mesmos dos apóstolos de Cristo. Um dos mais interessantes é Tiago, o primeiro personagem do livro. “Quando conheci Tiago, descobri que dentro de cada padre mora um homem como todos os outros. Não existe nenhum santo nos padres”, escreveu Solange.

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