“Ó Senhor, ouve a minha oração, e chegue a ti o meu clamor. O meu coração está ferido e seco como a erva, pelo que até me esqueço de comer o meu pão. Os meus dias são como a sombra que declina, e eu, como a erva, me vou secando” (Sl 102.1,4,11).

Crente em nosso Senhor Jesus Cristo, salvo pelo sangue do Calvário, liberto pela cruz, contudo vivendo nas sombras espirituais. Vivendo no pó (cf. v. 9), na cinza, no desamparo, na tristeza, na escuridão. Nem parece que já recebeu a luz de Cristo Jesus! Há que sair dessa penumbra para a alegria de Cristo, para a alegria da salvação, da plenitude espiritual. Há que fazer reviver o próprio coração, os sentimentos espirituais, a consciência; há que caminhar para a claridade, para a certeza, para os alvos, para o crescimento na expressão de Paulo em Efésios 5.14: “Pelo que diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará”.

HÁ QUE SE AVIVAR A CHAMA DA SANTIDADE
“Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque eu sou Santo”
(1 Pe 1.14-16).

Tudo começa com a santidade que não é, como muitos pensam, conseqüência, resultado da vida cristã, mas seu início, porque ser santo quer dizer ser separado especialmente para Deus, consagrado para o Senhor, reservado para algo especial (Ex 19.5,6; Lv 20.7,8; 1 Pe 2.9). No Antigo Testamento, Deus usou de meios altamente dramáticos, gráficos para ensinar ao povo que havia objetos que só podiam ser tocados pelos sacerdotes, pois eram objetos santos, separados, especiais. Ainda mais; havia um lugar no tabernáculo e no templo onde nem os sacerdotes, que eram homens escolhidos, entravam; só o Sumo-sacerdote, e, mesmo assim, apenas uma vez por ano. Observe, então, que tudo o que pertence ao âmbito do culto é santo: há objetos santos (reservados para o culto), ocasiões santas (ocasiões especiais), lugares santos, uma cidade santa, Jerusalém, há um Livro santo (a Escritura Sagrada), há pessoas santas (dedicadas ao serviço e missão do Senhor).

No Novo Testamento, o sagrado não pertence a coisas, lugares, objetos ou ritual, mas às manifestações do estilo de vida que o Espírito Santo produz. Na Nova Aliança, somos todos seres especiais, elevados ao sacerdócio; quem tem a Cristo é santo, quem tem a Cristo é diferente. Dentro da mesma esfera do ser santo, é experiência de santificar-se, porque além da idéia da separação, do ser diferente, há o conceito do encontro com Deus que exige uma resposta nossa. Por essa razão, o Salmo 24.3 faz uma pergunta respondida com o verso seguinte: “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo?” (Sl 24.3); “Aquele que é limpo de mãos e puro de coração; que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente” (Sl 24.4).

Santidade não é legalismo (a idéia de que se respeitarmos regras, ganhamos o favor de Deus, ou seja, “faça tal coisa e será santificado”). Santidade não é questão de dieta, ritual, costume; não é algo negativo (“não faça isso, faça aquilo”); não é um banho de emoção, não é trauma psicológico, não é euforia de momento. Não pode o crente ser separado para Deus, e, ao mesmo tempo, envolvido com o mundo. A fórmula de santificação está na Sagrada Escritura:

“Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância; mas , como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento; porquanto está escrito: Sereis santos, porque Eu sou Santo”
(1Pe 1.14-16);

“Porque esta é a vontade de Deus, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santidade e honra. E o próprio Deus de paz vos santifique complemente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente Conservados irrepreensíveis para a vinda De nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 4.3,4; 5.23).

Numa reunião de oração, um crente orou várias vezes: “Senhor, tira da minha vida as teias de aranha”. Outro irmão, depois de ouvir a insistência, disse: “Senhor, mata a aranha!” Pois ser santo e santificar-se e nem deixar que a aranha faça teias na vida.

HÁ QUE SE AVIVAR A CHAMA DA PUREZA
“Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração, purificado da má consciência, e o corpo lavado com água limpa” (Hb 10.22)

“E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro” (1Jo 3.3)

Quando a santidade de vida é reavivada, a pureza de vida é ressaltada. Um avivamento profundo e real mexe com todas as áreas de nossa vida, mesmo as mais íntimas. Pecados são confessados, relacionamentos familiares e conjugais são restaurados, problemas de abrasamento, de casamento, de impaciência, de falta de controle são resolvidos. Estamos entrando no campo da ética particular, ou seja, os deveres de um crente para consigo mesmo, tais como o respeito próprio e a própria aceitação, além de evitar tudo o que seja prejudicial ao seu espírito, ao seu corpo, ao seu crescimento como filho de Deus.

A chama da pureza avivada mexe com a ética sexual quando a “nova moralidade” (que Billy Graham chamou de “a velha imoralidade”) aceita como normal as relações prematrimoniais, extraconjugais e homossexuais.

A chama da pureza avivada mexe com a ética conjugal e dos atentados à santidade do casamento, e com a ética familiar ressaltando a perenidade do amor com respeito entre pais e filhos, e o exercício da autoridade dos pais.

HÁ QUE SE AVIVAR A CHAMA DA FORÇA ESPIRITUAL
“Se alguém fala, fale como entregando oráculos de Deus; se alguém ministra,

ministre segundo a força que Deus concede; para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o domínio para todo sempre. Amém”
(1 Pe 4.11)

Este momento pede crentes que sejam fortes em oração. O Espírito Santo é entristecido quando o irmão deixa de orar; e há crentes que não oram, não crescem, não recebem bênçãos, vivem em anemia e esgotamento espiritual.

Sobre a oração, as religiões têm opiniões variadas e curiosas. Os dervixes muçulmanos repetem a palavra Deus em árabe (Allah) enquanto rodopiam até que entram em êxtase. Os budistas têm duas práticas: usam a roda-de-oração, ou, repetem por dias inteiros a sílaba OM (supostamente o vocábulo que deu início ao mundo).

Oração não é um ritual que o crente pratica; é uma atitude, um estilo de vida. A oração evangélica é dinâmica; é ação, ou, ainda melhor, é interação: Deus e o crente interagem. A oração reavivada inclui trabalho: quando você canta, está orando; quando tem comunhão com os outros, está orando; o modo como você gasta o seu dinheiro é oração, porque reflete o que tem prioridade na sua vida. Que faz você? Dá o seu tempo ao evangelismo ou ao estádio de futebol? E seu dinheiro à bilheteria do cinema ou a missões? Que tem o primeiro lugar na sua vida?

HÁ QUE SE AVIVAR A CHAMA DA OPEROSIDADE
“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso não é vão no Senhor” (1Co 15.58).

Que é ser cristão? Há quem pense que é realizar alguma coisa por Cristo, mas, na verdade, é o que Ele, pelo Seu Espírito, faz na sua vida: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” ( Fp 4.13; 2 Co 5.15 ).

O serviço cristão é o que o Espírito Santo faz por meio do irmão. Ora, o incrédulo, dominado pelo pecado, faz o que o pecado ordena; diferente é o crente em nosso Senhor Jesus Cristo que, obediente ao Espírito de Deus, segue os Seus planos. Compete ao irmão ser operoso, firme, constante, abundante na Causa. Sucedendo essa obediência entre nós, o Santo Espírito irá energizar as campanhas, os planos e esforços do povo de Deus. E essa visitação do Espírito resultará positivo, excelente e bendita. Evangelicamente falando, o senso reavivado de utilidade é descer o vale depois de se estar no monte da Transfiguração (cf. Mt 17.1-13). E o erro de Pedro (v.4) foi querer permanecer em visão beatífica quando havia uma multidão no vale da necessidade humana e existencial a aguardá-los (vv. 9,14,15).

UM PASSO ALÉM DAS SOMBRAS
Todo o segredo é manter a chama acesa: a chama da distinção, da separação, da diferença, da exclusividade; a chama da limpeza da alma, da purificação, do respeito, do caminho varrido. Todo o segredo é manter a chama acesa: a chama da oração, da busca de crescimento, da dinâmica, do ritmo, do louvor; a chama do trabalho, da atividade, e do permitir que o Espírito Santo o use como instrumento Seu, como agente do Alto!

O segredo de tudo é o binômio: oração e ação, orar e vigiar, meditar e fazer, ser e agir, querer e efetuar. O segredo é a renovação de aliança com o Senhor, firmar-se na rocha eterna. Jesus Cristo, e buscar o controle do Espírito, se queremos sair das sombras da inutilidade, da acomodação, da fraqueza para a glória reservada aos santos!

Walter Santos Baptista, Pastor da Igreja Batista Sião
Portal Padom

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