rivon-krygierPARIS, “O cristianismo nos permite frequentemente reencontrar nossas raízes”, afirma um reconhecido especialista francês em lei judaica, o rabino Rivon Krygier.
Krygier destaca a “absoluta necessidade” do diálogo inter-religioso e revela que sua experiência de diálogo com os cristãos o esclareceu muito sobre sua própria religião.
“Quando começamos a falar, todos temos de superar os estereótipos e preconceitos -explica ao semanário da arquidiocese da capital francesa, “Paris Notre-Dame”. Eu mesmo vivi esta experiência”.“Para mim, o cristianismo era uma religião superficial, baseada apenas nos afetos, uma fé irracional, que implicava a negação do corpo, etc”, reconheceu.
“Através do diálogo, descobri não apenas as grandes riquezas espirituais, mas também os homens e mulheres exemplares por sua fé e suas obras, ‘justos’, segundo nosso vocabulário -acrescenta. Sua fé e a minha não são rivais, mas tendem ao Reino de Deus”.
Para Rivon Krygier, rabino da comunidade masorti Adath-Shalom, de Paris, “os Evangelhos constituem uma visão rica, uma reflexão sobre o judaísmo”.
“O estudo do Evangelho e o diálogo com os cristãos me esclareceu muito sobre minha própria tradição”, assegura.
Entre eles, “sente-se realmente o judaísmo de Jesus, sua maneira de interpretar e viver a fé judaica, na escola dos grandes profetas”.
Segundo o rabino, “em sua memória ou em seu culto, o cristianismo conservou muitos costumes judeus que foram completamente abandonados no judaísmo que continuou evoluindo”.
Como exemplo, destacou a celebração da vigília pascal, que em algumas comunidades cristãs dura toda a noite.
“Essa é uma tradição judaica essencial, mas abandonada e esquecida por muitos”, explica. “Mas se diz que a maioria das vezes é o cristianismo que reencontra suas raízes neste diálogo”, destaca.
Sobre sua visão de Jesus, o rabino afirma: “para mim, como judeu, Jesus encarna um homem desesperado pela redenção e a salvação; queria acelerar a vinda do Reino de Deus e a isso se dedicou ao longo de sua vida”.
Também avalia que Jesus, “na realidade, ajudou milhões de não-judeus em todo o mundo a se unir à cepa de Israel e à fé do monoteísmo universal de acordo com a promessa feita a Abraão”.
“Viu-se que Jesus desencadeou realmente um movimento espiritual de uma amplitude maior, fundamentalmente respeitável (ainda que lamentamos a longa controvérsia entre judeus e cristãos) e isso em si mesmo é parte do messianismo”, afirma.
Para o rabino, “as espiritualidades se iluminam e podem nos ajudar a compreender melhor nossa própria religião, ao tempo que se constrói a fraternidade universal buscada no projeto último de nossas respectivas religiões”.
Ao mesmo tempo, reconhece alguns fatores que dificultam o diálogo entre cristãos e judeus, como o número inferior de judeus em relação aos cristãos, que faz com que os judeus estejam menos representados no cenário do diálogo.
Também o fato de que “muitos judeus não são praticantes ou não estão interessados na religião” e “a maioria dos que têm uma inquietude espiritual tem a necessidade de aprofundar em sua própria tradição”.
Por outro lado, “as comunidades judaicas encontram-se dispersas e não tão bem organizadas como a Igreja e isso não favorece as reuniões formais com outras comunidades”.

Zenit/padom.com

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