Preliminarmente, devemos, antes de qualquer explicação acerca do assunto em pauta, conhecer a palavra batismo, que é, sem dúvida, importante dentro do contexto doutrinário neotestamentário. Esta expressão se origina do vocábulo grego “baptizõ”, que significa imersão, mergulho, submersão. Daí a razão de Paulo comparar esse ato a um sepultamento (Rm 6.4), pois é através desta ação que o novo convertido enterra para sempre o seu velho homem (na linguagem paulina), isto é, seu caráter inconverso, carnal, natural, pecaminoso, corrompido. Devemos salientar também que o batismo não salva o homem, mas é tão-somente uma confirmação daquilo que já lhe aconteceu, isto é, a conversão.

Não somos batizados para a salvação; ao contrário, somos batizados porque já somos salvos. Esclarecemos, também, por via de dúvidas, que o batismo por aspersão é uma incoerência. Isto eqüivale dizer: “imersão por aspersão”. Faz sentido?

No que tange ao número de batismos existentes na Bíblia, o autor aos Hebreus parece fazer alusão ao assunto quando fala da “doutrina dos batismos”, Hb 6.2. Entretanto, entendemos, pelo contexto do capítulo, que o escritor está apenas classificando este assunto no rol das doutrinas rudimentares para novos convertidos como o a-bê-ce- da vida cristã. Apesar da explicação acima, parece-nos viável salientar que as Escrituras Sagradas, mormente no Novo Testamento, apresentam algumas espécies de batismo.

Na tentativa de esclarecer a questão supra, o articulista Venâncio R. dos Santos, em artigo publicado num periódico evangélico, enumera, com muita propriedade, sete tipos de batismo:

  • 1. O batismo de João, também chamado de batismo do arrependimento: Lc 3.3; 7.28; At 18.25.
  • 2. O batismo do sofrimento que é aquele com que Cristo foi batizado; qualquer servo de Deus pode recebê-lo: Mc 10.38,39; Lc 2.50.
  • 3. O batismo cristão-apostólico, que é ministrado em nome da Trindade: Mt 28.19,20; At 2.38; 19.5.
  • 4. O batismo pelos mortos – uma heresia muito difundida no tempo dos apóstolos; citada, mas não aprovada por Paulo: 1 Co 15.29.
  • 5. O batismo de Moisés – na nuvem e no mar: Êx 14.15-25; 1 Co 10.2.
  • 6. O batismo com o Espírito Santo que é efetuado por Jesus Cristo: Mt 3.11; At 2.1-4.
  • 7. O batismo no corpo de Cristo. Este é realmente realizado pelo Espírito Santo imergindo o novo convertido no corpo místico de Jesus, a Igreja.

Das sete espécies de batismo encontradas no Novo Testamento – continua o articulista – três merecem destaque, por terem missão específica no âmbito da Igreja:

  • 1. O batismo nas águas, que exterioriza a nova vida que o recém-convertido assume interiormente. Por esse batismo, o novo convertido é introduzido na igreja local: At 2.41.
  • 2. O batismo com o Espírito Santo, que é a concessão do poder, manifesta-se em dons espirituais, visando à evangelização em todas as dimensões. É o mergulho do crente no poder do Espírito: At 1.8; 1 Co 12.7-11.
  • 3. O batismo no corpo de Cristo, que é a imersão do novo convertido no corpo místico de Jesus (a Igreja), feito pelo Espírito Santo no ato da conversão.

Finalmente, para concluirmos o nosso pensamento sobre o assunto, evocamos aqui, a propósito, a opinião do renomado escritor J. Edwin Orr, que, em seu livro Plena Submissão, faz alusão ao assunto supracitado, dizendo: “No batismo com água, o agente é o ministro, o recipiente é o crente e o elemento a água. No batismo do crente no Corpo de Cristo, o agente é o Espírito Santo, o recipiente o novo convertido e o elemento é o Corpo de Cristo: a Igreja. Na outorga de poder (o batismo com o Espírito Santo), o agente é Cristo, o recipiente é o crente e o elemento é o Espírito Santo.”
Portanto, reiterando o que até agora foi visto, podemos declarar mais uma vez e, sem medo de errar, que a Bíblia Sagrada é a verdade de Deus revelada aos homens.

Extraído do Livro: A Bíblia Responde – CPAD

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