O projeto Construindo a Liberdade contemplará 400 presos com cursos de qualificação profissional na construção civil. Após cumprir a jornada de 200 horas de aula teórica e prática, alguns internos vão garantir o emprego com registro em carteira. Além de obter recursos para garantir o sustento da família, eles conseguem abater um dia de pena para cada três trabalhados.
Segundo o diretor da Funtrab (Fundação Estadual do Trabalho), Cícero Ávila, a primeira fase, que termina hoje, qualificou 200 internos do aberto e semi-aberto, sendo 125 pedreiros e 75 eletricistas. As aulas práticas aconteceram no Conjunto Residencial Ramez Tebet, na saída pra São Paulo.De acordo com Ávila, 20 internos vão continuar trabalhando na construção das 813 casas, edificadas em parceria entre os governos federal e estadual. Outros quatro foram selecionados para trabalhar em outra empresa.
Esperança – Cumprindo pena há três anos por tráfico de drogas, Paulo César da Silva, 39 anos, aposta na qualificação profissional para obter emprego e recuperar uma vida digna. “Quanto mais qualificado, melhor para a gente conseguir emprego”, afirmou ele, que também é marceneiro profissional.
Com seis filhos, com idades de 4 a 21 anos, Silva contou que o seu objetivo é obter dinheiro para ajudar a filha na faculdade. Ele pretende fazer o curso de carpinteiro, uma das principais demandas do mercado de mão-de-obra na Capital, conforme levantamento do Sinduscon (Sindicato da Construção Civil).
Bicos – Presa há três anos e oito meses por tráfico, a manicure Suelen Santos de Arruda, 29, sobrevive de bicos realizado dentro da própria unidade prisional. Ela presta serviços a agentes penitenciários, policiais militares e internas.
Além disto, ela participou do curso para se tornar a mais nova eletricista. “Acabou com o preconceito de serviço de homem e de mulher”, explicou, sobre o novo desafio, onde tem esperanças de obter mais uma fonte de renda para ajudar os filhos, três casais de gêmeos de 4, 10 e 15 anos de idade. As crianças ficam com a avó.
Ela aprovou o programa Construindo a Liberdade, oferecido pelo Governo estadual. Agora, o sonho de Suelen é obter a própria casa e iniciar um vida nova. Puccinelli sinalizou que poderá lançar um programa para os presos construírem as próprias casas.
Autônomo – Gilmar Silveira, 46, detido há cinco anos por atentado violento ao pudor, reclamou da falta de opção aos internos no semi-aberto que são autônomos. O Poder Judiciário não está mais emitindo cartas para liberá-los para o trabalho sem registro em carteira.
Além de executar bicos de pedreiro e de conserto de eletrodomésticos, ele participou do curso como forma de capacitação. “É a oportunidade de aprender”, afirmou, sobre a formação no curso de eletricista.
Convertido a uma igreja evangélica, Silveira comandou o grupo de oração Soldados de Cristo no presídio e tem esperanças de retomar a vida ao lado de um casal de filhos, que ficam com a avó.
Preconceito – Ávila explico que a mão-de-obra dos presídios é mais competitiva em relação aos demais. Segundo o diretor-presidente da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), Deusdete Souza de Oliveira, as empresas podem pagar um quarto do salário mínimo e não recolhem encargos sociais.
Um dos principais problemas é o preconceito. Segundo Paulo César da Silva, eles sofrem com a discriminação até de vizinhos, amigos e familiares.
Para o governador André Pucconelli, o preconceito só pode ser superado com o tempo, determinação, força de vontade e trabalho. Oliveira já aposta na divulgação e na reinserção do interno na sociedade como medidas para combater o preconceito.
A formação e o trabalho são fundamentais na recuperação do preso, ressaltou o juiz da 2ª Vara de Execução Pena, Albino Coimbra Neto, que conversou com os presos durante visita da equipe do Governo ao projeto no Conjunto Residencial Senador Ramez Tebet.
campograndenews/padom

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