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O recurso à superstição para ascensão na vida profissional, empresarial e até mesmo dos dirigentes tornou-se uma prática muito propalada na província de Cabinda, embora cientificamente nada esteja provado. A verdade é que muita gente, na ânsia de se dar bem na vida, recorre cada vez mais aos kimbandeiros. São jovens e homens de barba rija, com amuletos “camuflados” em medalhas e outros objectos que, segundo eles, dão poder e riqueza.
A conversa do dia, que é comentada em vários círculos da cidade de Cabinda, é sobre um jovem e bem sucedido empresário que foi supostamente surpreendido pela esposa, em casa, totalmente despido e a envolver-se sexualm

Suposto mágico num mercado de Cabinda

ente com uma jibóia. Segundo o que aqui se comenta, o acto macabro culminou num “vómito” de dinheiro por parte da serpente, rito que o empresário seguia há anos sem o conhecimento da companheira.
O assunto, que está a mexer com a sociedade local, mereceu as mais díspares reacções. Uns dizem que isto não passa de um mito da imaginação fértil do nosso povo para essas coisas de feitiços e quejandos. Outros, mais virados para acreditarem em coisas sobrenaturais, dizem a pés juntos que essa coisa da “cobra que vomita dinheiro” é tão antiga como a própria África, existe mesmo gente a enriquecer com base no feitiço. Contam, todavia, que as consequências acabam sempre por ser trágicas, porque o dinheiro adquirido por essa via culmina sempre na morte do beneficiado ou de familiares mais directos, como forma de pagamento ao kimbandeiro pelos bens adquiridos.
Velho Mayala, 78 anos, ouvido pela nossa reportagem, disse que o caso do jovem empresário não é uma utopia, mas sim factos verídicos e fáceis de serem interpretados através da lógica, uma vez que nada justifica, nem mesmo o crédito bancário, a riqueza que o jovem ostenta em tão pouco tempo e a forma como o dinheiro é esbanjado diariamente em rodadas de amigos.
Para o mais vellho Mayala, esse jovem empresário, cujo nome se omite por razões óbvias, não é o único a recorrer à magia negra para se dar bem na vida. Muitas outras pessoas, jovens e gente de certa idade, são vistos a ostentarem “invejáveis” bens materiais, como carros topo de gama e mansões que fazem recordar marajás e sultões, e recorrem aos kimbandas.
A fortuna que essa gente possui, segundo o mais velho Mayala, não se justifica, comparada com os rendimentos que provêem do trabalho que fazem. “Acreditar que o comércio de praça traga tantos rendimentos assim é que é uma utopia”, disse.
No alto dos seus 78 anos, velho Mayala disse que, geralmente, as pessoas que recorrem a meios supersticiosos para atingir patamares elevadas na vida, possuem sempre objectos escondidos no corpo, que servem de talismãs, instrumentos protectores, como medalhas, fios de ouro de grandes quilates e outros adereços, que na hora indicada pelo kimbandeiro, à noite, se transformam em “jibóia para vomitar o dinheiro”, que “deve ser gasto necessariamente e na sua totalidade pelo proprietário durante o dia, sob pena de perder tudo, incluindo a vida”.

Fontes do feitiço

A par da magia da “jibóia”, algo do conhecimento geral em Cabinda, um outro método diabólico de se dar bem na vida e que tende a ganhar corpo é o de pessoas que procuram os kimbandeiros para protecção e ascensão profissional. Essa gente sobe rapidamente no emprego e num curto espaço de tempo consegue juntar um grande património.
De acordo com o velho Mayala, quando o feitiço começa a voltar-se contra o feiticeiro, por incumprimento das ordens do kimbandeiro, é comum o património dessa gente desaparecer de forma misteriosa. Várias são as ocorrências do género que se sucedem um pouco pela província de Cabinda, como incêndios inexplicáveis de residências, de estabelecimentos comerciais e até de grandes fazendas agrícolas. “Queima tudo de forma inexplicável”, disse.
Os incêndios, prosseguiu, acontecem sempre depois do protagonista alcançar êxitos retumbantes nos negócios. Apontou como exemplo mais misterioso e que tem deixado boquiaberto meio mundo em Cabinda é o incêndio de grandes proporções, por três vezes, de um estabelecimento comercial situado logo à entrada da Rua das Mangueiras, explorado por um cidadão da República Democrática do Congo. Das três vezes que o estabelecimento comercial ardeu, queimaram-se apenas os artigos expostos para venda, não causou quaisquer danos a terceiros, mesmo a residências geminadas vizinhas, o que causou forte suspeita ao proprietário do imóvel e de tantas outras pessoas. Acusando o inquilino de práticas diabólicas, o dono do imóvel não teve meias medidas, senão expulsá-lo.
As aldeias de Sibiti, em Buenza, República do Congo, e de Mbetengue, na República Democrático do Congo, são por excelência as localidades mais concorridas pelos protagonistas de actos de superstição. Ali, segundo fontes concordantes, existem “chirangas” dotados das mais macabras artes ocultas para satisfazer qualquer pedido ou desejo do interessado, desde matar, ascensão profissional, protecção individual até à aquisição de bens materiais e financeiros.

Consequência

As consequências, segundo o mais velho Mayala, que resultam da prática da superstição são sempre trágicas, na medida em que causam sempre duplos danos, ou seja, a morte prematura do protagonista do acto ou de parentes próximos “com sangue fraco”, como soe dizer-se, e a danificação progressiva do património adquirido pelo falecido enquanto em vida. Os principais herdeiros da pessoa falecida (filhos e esposa) também não conseguem usufruir dos bens deixados.
“O fim das pessoas que recorrem a essas práticas de magia negra é sempre trágico, porque quando o poder adquirido por meio de feitiçaria começa a enfraquecer ou não possuírem mais para matar em troca dos bens materiais, o feitiço volta-se contra o feiticeiro”, disse o ancião de 68 anos António da Silva Arcanjo.
“Quando assim acontece, começa-se a desenhar para o ‘homem de sucesso’ um quadro de dificuldades, caracterizado pela falência dos negócios, perda dos bens materiais já adquiridos, insucesso na vida profissional, culminando quase sempre com a morte ou loucura”, referiu
António da Silva Arcanjo, comerciante de longa data no bairro 1º de Maio, arredores da cidade de Cabinda, vai mais longe e exemplifica outras práticas de feitiçaria usadas por muita gente: “há pessoas que se dedicam à actividade comercial e, para venderem rapidamente a sua mercadoria, recorrem a feitiço, que é enterrado na entrada do estabelecimento comercial para atrair a clientela”, revelou.
Acrescentou que esta é uma prática muito comum entre os cidadãos da República Democrática do Congo (RDC), que a transportaram para o nosso país, e Cabinda em particular.
O comerciante condena veementemente o comportamento de certos cidadãos da RDC que em pleno mercado de São Pedro têm estado a vender o feitiço chamado “mbasso”, que consiste em matar pessoas como se fosse alguém atingido por fogo e que antes de morrer começa a decompor-se paulatinamente, caindo algumas carnes do corpo.

Sociedade está doente

O reverendo da Igreja Evangélica Reformada de Angola (IERA) João Alberto deplorou o comportamento dos indivíduos que recorrem ao feitiço como meio de protecção ou para alcançar objectivos, quer na vida pessoal, quer profissional ou empresarial. Para o reverendo João Alberto, é triste continuar a ver que o homem, ao invés de confiar em Deus, persiste em crenças ocultas quando a Bíblia Sagrada, nas profecias do Apocalipse, apela à abstinência dessas práticas.
“Nos dias de hoje, verificamos na sociedade que quando um indivíduo pretende atingir um grau elevado, assumir um cargo superior em determinada empresa, ter muito dinheiro, pensa em procurar kimbandeiro”, salientou, considerando o facto como sinais de uma sociedade doentia.
Para o também secretário provincial do Conselho de Igrejas Cristãs de Angola (CICA), o recurso à superstição, como forma de ascensão na vida, está a dividir famílias inteiras, já que os familiares das pessoas que morrem como resultado da suposta “recompensa ao kimbandeiro” reagem muitas vezes de forma violenta contra o suposto membro da família que recorreu à magia negra para ficar rico.
O reverendo João Alberto aconselha as pessoas a não enveredarem por esse caminho, por ser uma via pouca duradoura, que só acelera a morte.
“Os bens adquiridos por via da superstição são temporários e trazem sempre graves consequências na vida do homem, como morte prematura e destruição de família”. João Alberto aconselha as pessoas a trabalharem honestamente, porque os bens materiais adquiridos dessa forma passam de geração a geração. O reverendo defendeu, para uma inversão do actual quadro, a necessidade da sociedade, incluindo as igrejas reconhecidas pelo Estado angolano, realizarem um trabalho aturado de consciencialização espiritual do homem, por um lado, e por outro, o Estado deve reflectir seriamente sobre o fenómeno de proliferação de seitas religiosas no país, já que é por esta via que “estão a surgir no país muitas doutrinas estranhas ao nosso povo, como o budismo, islamismo e movimentos apostólicos de origem brasileira também estranhos à nossa maneira de ser e estar”.
“Outrora no país só existiam sete igrejas tradicionais, hoje são centenas e nem todas vêm com o objectivo de pregar a palavra de Deus. E o mais grave é que, por dificuldades económicas, até cristãos de igrejas tradicionais estão a ser arrastados por estas comunidades, sem saber que no fim terão outras consequências na sua vida física, espiritual, económica e social”, disse.
O reverendo recorreu às profecias de Pedro para apelar às pessoas para o seguinte: ”não ameis muito pelo mundo porque ele é passageiro, tudo quanto trabalhamos há-de ficar no dia que partirmos para a eternidade”.
Disse também que tem recebido muita gente na igreja que se arrepende da vida de ocultismo e que com a bênção de Deus se tornam pessoas renovadas, apesar dos danos irreversíveis que causaram à família.
O reverendo considera que muitas dessas igrejas estão a ajudar a destruir famílias inteiras, porque além de inculcarem a imoralidade, vêm com práticas mágicas de que podem resolver vários infortúnios, como curar doenças, dar emprego, ascensão na vida, quando na verdade “estão a fazer o seu comércio, extorquindo dinheiro aos homens de pouca fé”.

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