Pastor evangélico admite ter matado mais de 20 mil pessoas no passado

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Assassino confesso de mais de 20 mil pessoas durante a Guerra Civil da Libéria, Joshua Milton Blahyi é hoje pastor em uma igreja evangélica e afirma ter mudado completamente o rumo de sua vida e que agora é um homem diferente que está em uma jornada em busca de perdão pelas atrocidades que cometeu.

pastor-Joshua-Milton-BlahyiOs crimes de guerra cometidos por Blahyi durante a Guerra Civil, que durou de 1989 a 2003 e custou 250 mil vidas, foram quantificados durante uma audiência de 132 minutos na comissão da Verdade e Reconciliação instaurada no país. A comissão que ouviu o agora pastor foi composta por nove membros composta por ativistas de direitos humanos, advogados, jornalistas e sacerdotes, que tiveram como objetivo determinar o que ele havia feito durante a guerra civil.

Em um conflito em que líderes tribais adotaram nomes de guerra como Geral Rambo, General Bin Laden, General Satanás, Blahyi adotou a alcunha de General “Butt Naked”, ou Bunda Nua, em tradução livre. Durante a guerra, cerca de 20- mil crianças chegaram a ser recrutadas como soldados, e aquelas que estavam sob liderança do então conhecido como Bunda Nua eram obrigadas a estripar suas vítimas e comer seus corações, para que deixassem de nutrir qualquer tipo de sentimento por outros seres humanos.

Na época dos conflitos, era comum também que famílias pagassem por feitiços na esperança de obter proteção, e esses pagamentos eram feitos em dinheiro ou através de sacrifícios de membros da família. Nesse contexto, Blahyi era um canibal que preferia sacrificar bebês, porque acreditava que a morte destes prometia maior proteção. Ele também conta que entrava em batalha nu, usando apenas tênis e carregando um facão, porque acreditava que isso o tornava invulnerável. Entre as atrocidades cometidas por seus liderados, estão relatos de soldados que apostavam se uma mulher grávida teria um menino ou uma menina e, em seguida, cortavam a barriga para ver quem estava certo.

Hoje, aos 42 anos, e tendo deixado em seu passado seu nome de guerra, o agora pastor evangélico em uma igreja em Monróvia construiu uma missão para os antigos soldados-mirins que encontra na rua, adotou três crianças e é classificado como uma “nova pessoa” pelas pessoas ao seu redor, como sua esposa. Ele também vai constantemente em busca de suas vítimas, pessoas que sobreviveram as atrocidades cometidas por ele durante a guerra, em busca de perdão. Das 77 pessoas procuradas por Blahyi com um pedido de perdão, dezenove o perdoaram e a última delas, uma mulher que viu sua família ser completamente destruída, seu irmão brutalmente assassinado e suas irmãs e mãe estupradas e mortas, nem mesmo conseguiu ficar perto do outrora General Butt Naked, e como muitas outras pessoas parece não acreditar em sua mudança de vida, segundo o site Der Spiegel.

Porém, apesar de confessos diante de uma comissão nacional, os crimes praticados por Blahyi durante a Guerra Civil Liberiana permanecem impunes, e podem nunca ser levados diante de uma corte com poder para condená-lo. Isso se dá porque o Tribunal Penal Internacional em Haia só tem jurisdição sobre crimes cometidos a partir de sua fundação em 2002, e um tribunal especial com o poder de julgar crimes anteriores, como os de Ruanda, Camboja e ex-Iugoslávia nunca foi estabelecido para a Libéria. Diante da remota possibilidade de um tribunal dessa natureza ser instaurado no país, Blahyi afirma que estaria disposto a passar o resto de sua vida na prisão por causa de seus crimes, e ressalta que se entregaria para a justiça mesmo se isso lhe custasse uma pena de morte.

A mudança de atitudes de Joshua Milton Blahyi em um país onde os crimes de guerra talvez nunca encontrem punição levanta uma série de questionamentos. Enquanto muitos acreditam que a faceta de pastor do antigo general é apenas uma “máscara”, outros acreditam que apenas uma mudança espiritual genuína o levaria a tal atitude, visto que independente de qualquer coisa, seus crimes talvez nunca encontrem punição.

 Gospel+  / Portal Padom

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