Extravagância ou unção?

Pastor assembleiano inova ao pregar e faz sucesso no púlpito ao ritmo do “rei do pop”
Dizem que ninguém consegue fazer tão bem o moonwalker – aquela dança em que os pés deslizam para trás – como seu inventor Michael Jackson. Entretanto, para Silvio Maia – pastor e membro da Assembleia de Deus de Campo Grande, no Rio, que costuma imitá-lo durante as pregações – muito mais importante do que saber dançar é saber evangelizar. Nesse quesito, pelo jeito, ele tem se saído muito bem: seus cultos têm atraído milhares de pessoas; seu primeiro álbum independente, Dia de Alegria, já vendeu mais de 40 mil cópias – um número bastante considerável para o segmento evangélico –; e seus vídeos postados na internet – especialmente no YouTube – estão bombando com milhares de acessos e downloads. E não é somente no “rei do pop” que o pastor assembleiano tem buscado inspiração para extrapolar sua alegria; no repertório também incluem funks eróticos e línguas praticamente incompreensíveis.
Enquanto muitos, principalmente os crentes mais tradicionais, desaprovam a estratégia de louvor do religioso, dizendo que tal comportamento não é condizente com a de um pastor e que expõe o evangelho ao ridículo, outros apoiam, alegando que a descontração também deve fazer parte da vida ministerial e, consequentemente, dos que buscam o Reino de Deus.
Meio fora de forma, longe do Michael Jackson gospel – como o pastor passou a ser chamado – ter a mesma ginga do astro falecido no final de junho em Los Angeles (Estados Unidos); entretanto, quanto à alegria, talvez seja essa uma maneira encontrada para disfarçar ou preencher um vácuo de tristeza em sua vida depois de um duro golpe: num curto espaço de tempo, Silvio Maia perdeu a mãe, o pai e o irmão.

Revista Eclésia / Portal Padom

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