Queniana Vivian Cheruiyot, corre com colegas: seu país é destaque no atletismo
Queniana Vivian Cheruiyot, corre com colegas: seu país é destaque no atletismo

Longe de ser um espaço democrático, em que todos podem competir em condições de igualdade, as Olimpíadas fornecem uma plataforma para a “humilhação” dos países mais pobres.

A opinião é de Oscar Mwaanga, especialista em sociologia do esporte de Zâmbia entrevistado pelo repórter Farayi Mungazi, da BBC.

“A ideia de que todos têm condições iguais para competir diz respeito a um ideal, não a uma realidade”, afirma Mwaanga.

Para ele, os atletas de países mais pobres – que muitas vezes enviam apenas um ou dois representantes para as competições – ficam divididos entre as grandes expectativas de seus conterrâneos e suas limitações em função da falta de recursos para treinamento e preparação para os Jogos.

“Eles carregam as expectativas de seus países nas costas e querem acreditar que vencerão porque isso é uma questão de orgulho nacional”, explica Mwaanga. “Mas no fundo cada um sabe que (sua chance de vencer) a competição está muito ligada a quantidade de recursos que recebeu. É nesse estágio que percebem a humilhação.”

Mwaanga lembra que mesmo que algumas dessas nações menores e mais pobres, como Togo, Zâmbia, Quênia e Etiópia, tenham destaque em alguns esportes específicos, a desigualdade entre os países é clara no quadro geral de medalhas e no número de atletas na competição.

“Há países que têm dois atletas competindo. O que isso significa se comparamos com o número de atletas vindo dos EUA ou da China? Na realidade, a Olimpíada é um evento interessante para investigar as desigualdades globais”, afirma o especialista.

“Não há igualdade (na competição) e se começarmos a prestar mais atenção nesse tipo de questão, nessas críticas, podemos abrir uma oportunidade para redefinir ou redesenhar de fato as Olimpíadas.”

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Mwaanga sugere que parte dos recursos arrecadados com os Jogos sejam usados para fomentar atividades esportivas em países mais pobres. Para ele, o Comitê Olímpico Internacional também precisaria tomar mais consciência sobre o problema.

“Precisamos redistribuir a riqueza acumulada com as Olimpíadas, analisando como ela pode beneficiar países menores”, diz.

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