A intensa presença de Deus em nossos momentos de solidão

No sentido de nossa personalidade, todos nós temos um nome. O nosso nome não é um significado vazio. Ele traz consigo, toda a trajetória de nossa história, das nossas experiências, da nossa personalidade e da nossa maneira de ser.Nós conhecemos a história de Jacó (Gênesis 25). Sabemos que na hora em que nasceu, ele segurou no calcanhar de seu irmão gêmeo. Seu pai, então, lhe colocou o nome de Jacó, cujo significado é usurpador, manipulador e enganador. Vemos durante toda trajetória de vida daquele homem, acontecimentos, eventos, situações de enganos e manipulações, que acentuam o seu nome. Tanto enganou, que conseguiu atingir sua expectativa, realizar seu sonho, a luta de sua vida: ser o primeiro – o primogênito. Depois da realização daquele sonho, que não foi da maneira correta, ele teve de fugir da presença de sua família.

Mais tarde, em Gênesis 32, encontramos Jacó retornando para casa, depois de anos como fugitivo. Na profundidade deste texto podemos ver Deus nos chamando para a nossa pessoalidade, a fim de olharmos para aquilo que verdadeiramente somos. Chega o momento e Jacó deixa tudo o que tem, família, bens e passa para o outro lado do vale do Jaboque. Lá, sozinho, luta com o Anjo. E a luta dura a noite inteira.

A noite tem conotação de escuro, de dor, daquilo que não vejo, do que não está claro diante dos meus olhos, daquilo que não entendo, daquilo que não tenho respostas. A noite nos traz sensação de abandono, de desamparo, nos dá medo da morte, da destruição. A noite tem a ver com nossas crises da alma, com nossas dores e conflitos. Porém, ao mesmo tempo, podemos ser tocados pela claridade da luz do Senhor, que nos traz a esperança e a alegria do amanhecer.

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Voltando a Jacó, eis que o dia já estava clareando e o Anjo então lhe diz: “Deixe-me ir”, mas ele não poderia deixá-lo ir sem obter a bênção: “Não te deixarei ir enquanto não me abençoares”. Ele deseja aquela bênção, ele precisa daquela bênção. E naquele momento de noite escura na alma de Jacó, há um basta para toda trajetória de enganos.

– Não quero mais enganar. Quero ser abençoado, ser bênção para a minha vida e para os que estão ao meu redor.

Então o Anjo lhe pergunta: “Qual é o seu nome? Jacó, respondeu ele” (Gênesis 32.27,28). Jacó, ao fazer aquela confissão, assume toda a sua realidade de vida – meu nome é usurpador, enganador e manipulador.

E naquele momento, a cura veio pela confissão. O Anjo lhe dá um novo nome, o nome da promessa: “Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel” (Gênesis 32.28).

Como Jacó, precisamos tomar consciência de que é necessário passar para o outro lado, no sentido de vencer nossas crises existenciais, de buscar uma mudança de pensamentos, na esperança de que algo novo aconteça em nossa vida. Dessa forma poderemos vencer o vazio que nos faz sentir insignificantes, que é olhar ao nosso redor e experimentar a árida realidade de que estamos sós.

A dimensão mais profunda, a cura para nossa alma solitária, não se dá por eu estar rodeado de pessoas que me abraçam, me beijam e me aplaudem, mas no secreto dos secretos, quando na presença de Deus apresento meu vazio. Como aquela viúva de 2 Reis 4.1-7, que pegou as vasilhas vazias para que Deus as enchesse de óleo. Como Jacó, que diante daquela experiência tão profunda e transformadora, teve o seu “Peniel”, seu encontro com Deus e a sua alma foi salva.

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Muitas pessoas estranham quando digo que sou referencial da minha verdade, e que diante de Deus, não adianta mentiras. Ele não trabalha com máscaras, com capas. Deus trabalha com a verdade, seja ela qual for.

Se antes Jacó fugia de Esaú, agora tudo é diferente. Se antes ele mandava presentes para enganar e poder fugir, agora ele toma a iniciativa de ir ao encontro do irmão para buscar reconciliação.

Esta é a profunda dimensão do secreto da nossa alma. Estar diante de Deus que, com misericórdia, nos vê por dentro e sabe como somos.

Quando experimentamos esta graça abundante da intimidade com Deus, quando somos tocados, curados, queremos mais e mais. Exatamente como aquela viúva, quando todas as botijas já estavam cheias, diz: “traga-me mais uma”.

A vida é pontuada de montanhas e vales. Cada montanha dá mais recursos aos vales; cada vale oferece mais significado às montanhas. Em ambos podemos ver a atuação de Deus, do Deus que restaura, transforma, renova e cura as feridas da nossa alma.

por: Dora Eli

LarCristão / Padom

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