A Frente pela Liberdade no Irã (FLI) marcou para este domingo manifestações em nove capitais brasileiras contra a visita do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que tem chegada prevista ao País no próximo dia 23. A frente é formada por cerca de 50 grupos da sociedade civil e as manifestações têm por objetivo questionar o estreitamento dos laços diplomáticos entre o Brasil e o governo de Ahmadinejad.Em São Paulo, a manifestação acontece às 15h na praça dos Arcos, no fim da avenida Paulista. Estão previstas ainda protestos em Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Goiânia, Manaus, Belém, Rio Branco e Porto Velho.
No dia 23, dia da chegada do presidente iraniano, o grupo planeja uma manifestação em Brasília. Entre os membros da FLI estão movimentos negros, religiões de matrizes africanas, grupos de evangélicos, católicos, bahais, judeus, GLBT, lideranças religiosas orientais, professores universitários, jornalistas, advogados, médicos, associações promotoras da liberdade de crença, de liberdade e cultura da paz, entre outros.
Flávio Rassekh, um dos organizadores do evento, afirma que o objetivo não é questionar politicamente o governo do Irã. “Queremos mostrar também que o governo iraniano está entre os que mais persegue jornalistas no mundo. É um dos países mais opressores em questão de liberdade de expressão. Proporcionalmente também está entre os que mais executam pessoas no planeta. Em números absolutos, só perde para a China em casos relacionados à pena de morte. É uma oportunidade de mostrar o que está acontecendo lá”, diz Rassekh.
Rassekh é membro da comunidade Bahá’i no Brasil. A fé Bahá’i é uma religião mundial, com leis próprias e escrituras sagradas, surgida na antiga Pérsia (atual Irã),em 1844.
“Os Bahais não têm clero e têm alguns princípios básicos, que vão contra ortodoxia do islã xiita. Prega igualdade de direitos e acreditam que todas as religiões vem do mesmo Deus. Acreditamos que outros profetas poderiam vir depois de Maomé. Por isso somos perseguidos no Irã”, disse.
Segundo ele, com o a vinda de Ahmadinejad é inevitável, e já agendada pelo Itamaraty, as manifestações são pelo posicionamento do Brasil. “Por princípío, nós não nos envolvemos em política partidária. Não fazemos uma crítica direta ao Irã e não temos o interesse de derrubar o governo iraniano. Somos contra falta de direitos humanos lá . O Brasil, como País democrático que é, não pode relativizar o que está acontecendo e fechar os olhos para os problemas”.
Nesta semana, durante a visita do presidente de Israel, Shimon Peres, Lula afirmou que “não se constrói a paz no Oriente Médio sem conversar com todas as forças políticas e religiões”. O presidente disse que se o diálogo se der apenas entre países com a mesma orientação será apenas um “clube de amigos”, que nunca poderá alcançar a paz. Reiteradamente o presidente iraniano nega a existência do holocausto.

Leia também!  Homem é retirado do culto para morrer a tiros em frente de igreja

Terra / Padom

Deixe sua opinião