Nesse momento não sabemos quanto tempo vai levar até que consigamos controlar e tratar a Covid-19. Isso significa dizer, que não sabemos quanto tempo vai levar para que a vida das pessoas volte a normalidade ou caminhe para uma nova realidade, que seja percebida como normal, ou seja, um mundo onde as relações pessoais, a confiança e o bem estar, retornem para um patamar minimamente confortável e adequado.

Outro grande problema é que nosso conhecimento sobre a doença é muito pequeno e as incertezas são enormes. Não sabemos, ao certo, quantas pessoas estão ou foram infectadas, não sabemos se ocorrerão mutações no vírus, que farão com que aqueles que foram infectados e se recuperaram, possam ter novamente a doença, não sabemos qual o potencial de transmitir a infecção nos diferentes momentos da doença, não sabemos se outras ondas da doença vão acontecer no futuro, não sabemos quanto tempo vai levar até encontrarmos uma vacina ou um tratamento eficiente, não sabemos as consequências da doença a longo prazo e também não sabemos como as pessoas e a sociedade vão reagir, caso essa situação atual se prolongue por muito tempo. A incerteza é total e os países e líderes precisam aprender a navegar em uma realidade que nunca existiu no último século.

Os números no Brasil até ontem, 30 de maio de 2020, mostravam 498 mil casos confirmados e quase 29 mil mortos.

Jornais e sites de grande circulação publicaram essa semana que, com base em dados preliminares de um estudo que está sendo coordenado pela Universidade de Pelotas, o número de pessoas infectadas no Brasil pode ser 7 vezes maior do que aquele apresentado nas atualizações diárias do Ministério da Saúde. Essa projeção é preocupante não por ser muito alta, mas sim por ser muito baixa. 

Se o número de infectados for 10 vezes maior, chegamos a um número de quase 5 milhões que tiveram a doença. Isso representaria pouco mais do que 2% da população brasileira. Os números projetados por pesquisadores para que a sociedade adquira imunidade ao novo coronavírus, aponta que o percentual da população infectada seja acima de 60%.  Estamos muito distantes desse número e isso significa que, ou essa imunidade não vai acontecer naturalmente, ou se acontecer vai ser às custas de muitas mortes. 

A descoberta de um medicamento que seja muito eficaz e com poucos efeitos colaterais seria uma excelente solução, mas ainda não temos nada com esse perfil até o momento. 

O melhor cenário, seria a descoberta de uma vacina eficaz e um programa de vacinação em massa, que levaria a população a um nível de imunidade que resultasse no controle da Covid-19. A participação do Brasil nos estudos clínicos das vacinas que estão sendo desenvolvidas no mundo é importante, não só para auxiliar na avaliação das mesmas, mas também para aumentar as possibilidades dos brasileiros de terem acesso à vacina assim que ela for liberada. Essa participação em estudos clínicos das vacinas também abre oportunidade para criação de projetos voltados para produção da vacina no Brasil, tanto para uso doméstico quanto exportação para outros países.

Algumas conclusões acontecem com base nesse cenário atual.

1.     Gestores vão ter que aprender a navegar na incerteza. Não adianta tentar adivinhar o que vai acontecer. O melhor futuro possível vai depender das decisões tomadas hoje e revistas a todo momento. 

2.     Não investir em ciência é um erro. A Covid-19 realçou as fraquezas dos sistemas de saúde. Pouco investimento em pesquisa e não valorização dos pesquisadores é uma delas. 

3.     Ter um plano é fundamental. Para conduzir a sociedade ao longo de uma realidade difícil e sem um tempo exato para acabar, traçar uma estratégia clara para trabalhar o distanciamento social é crítico, seja na direção de aumentar o distanciamento, seja em reduzir.

4.     A participação da sociedade é  muito importante. As pessoas precisam entender que quando participam de programas de vacinação, não estão protegendo apenas elas mesmas, mas um país inteiro.

por: Nelson Teich

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