A candidata Marina Silva, que foi a grande surpresa na última eleição presidencial, anunciou deixar o Partido Verde (PV) nesta quinta-feira e prometeu apoiar a presidente Dilma Rousseff no veto ao projeto do Código Florestal que tramita no Senado.
Marina Silva declarou a desfiliação do Partido Verde no evento “Encontro por uma nova política”, realizado em São Paulo. Além disso, ela informou sobre a criação de um movimento para discutir política com o lema “verde e cidadania”.

Para a ex-senadora o cenário do sistema político brasileiro está, cada vez mais, incapacitado de abrir-se para sua própria renovação. Marina Silva aponta para a perplexidade da população diante da transformação dos partidos, além da baixa credibilidade do sistema político, que são uma mostra da necessidade de uma renovação na política brasileira.

Marina ainda disse ter esperança de que a presidente consiga ‘resistir’ às práticas do que ela chama de ‘velha política’ e para a candidata não há mais como renovar o atual modelo político, e sim reinventá-lo. “O resultado mais grave da perversão do sistema político é o afastamento da Política com P maiúsculo, pela qual cada um pode ser parte das decisões públicas por meio de suas opiniões, sua palavra, seu voto bem informado e consciente”, disse Marina Silva, na tarde desta quinta-feira.

Para especialistas a saída da candidata evangélica Marina Silva do PV, leva 20 milhões de votos para longe do partido. A candidata pelo PV, nas eleições presidenciais em 2010, recebeu 20 milhões de votos no primeiro turno, apoiada pela comunidade evangélica em todo o país.

Na opinião de Maurício Brusadin, ex-presidente do diretório estadual do PV em São Paulo, os partidos não atendem mais às demandas da sociedade. “E o PV não é diferente disso’.

Aliados de Marina Silva também assinarão uma carta coletiva de desfiliação do PV na próxima segunda-feira. A ex-secretária municipal de Meio Ambiente, Luciana Valente, anunciou no mesmo dia a sua saída também do partido.

“Tem pessoas que não são filiadas e não falaram se vão sair ou não. Se continuarem no PV, ainda continuam no movimento Marina e se quiserem ser candidatos vamos apoiá-los”, disse Valente.

Marina disse que quer manter a coerência e que não está sendo pragmática agindo de acordo com as eleições: “Não se trata de uma saída pragmática, com olhos pregados em calendários eleitorais. Ao contrário, é a negação do pragmatismo a qualquer preço”.

No encontro por uma nova política, Marina Silva afirmou que deseja continuar e ir mais fundo na luta socioambiental, abrindo janelas e portas para a sociedade.

“Para nós e para a sociedade. Vamos nos reencantar com o nosso potencial para mudar o que precisa ser mudado e preservar o que precisa ser preservado”.

Christian Post / Portal Padom

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