A ‘benção’ de líderes religiosos a candidatos, e a combinação entre púlpito e comício não vem conquistando a simpatia de parcela do eleitorado. Para muitos, oferecer o rebanho de fiéis a um candidato e, com isso, ostentar poder e força durante a campanha eleitoral, desvia o propósito das denominações religiosas.

Questionados se concordam com o uso de ‘Deus’ na corrida à Prefeitura de Manaus, 90% dos internautas se disseram contra citações bíblicas e a participação de representantes de igrejas evangélicas na manifestação de apoio a candidatos. Em 20 horas, a pergunta postada no portal acritica.com recebeu 172 comentários.

Parte dos internautas classificou a prática como “desrespeitosa” e “vergonhosa”. “Não concordo que as campanhas usem o nome de Deus em vão”, disse a internauta Jaqueline Cardoso, que foi além e classificou como “blasfêmia” a atitude.

Para o internauta Jorge Claudio Marães Junior, “religião é religião e não se mistura com política”. Évila Bastos também se mostrou contra. Contudo, disse que a participação de todos os seguimentos da sociedade no processo é necessária, mas deve ser feita de forma esclarecedora “e não manipulada, como tem acontecido”.

Para Conceição Martins, “Deus não é cabo eleitoral”. Diego Rudson Santos completou que, muito embora haja boa vontade de membros das igrejas, há ocasiões em que eles são usados como “massa de manobra por líderes religiosos que não pensam duas vezes em tirar vantagem” dos fiéis.

Martha Carvalho compartilha de opinião parecida, alegando ser antiética a postura dos candidatos que utilizam da fé cristã “para tirar vantagens por meio de falsas promessas”, supôs.

Fiscalização
Há até os que acham que deve haver uma interferência de órgãos fiscalizadores sobre políticos que utilizam este tipo de manobra. É o caso de Paulo Menezes.
“Os pastores das igrejas Assembleia de Deus e outras correlatas estão ultrapassando o bom senso e usando a mão forte que possuem sobre os fiéis para induzí-los a erro através do voto de cabresto em nossa cidade. Urge que se faça alguma ação pelo Ministério Público ou pelo TRE (Tribunal Regional eleitoral) para que seja coibido esse tipo de prática reprovável”.

Marcelo Vieira, porém, comentou que os líderes religiosos também têm direito de expor suas preferências, mas não devem usar da autoridade que lhes é atribuída para “influenciar a massa e prevaricar com o princípio legítimo da democracia. É o cúmulo do absurdo”.

A favor
Isabel Cristina se mostrou favorável à ideia, desde que seja candidato evangélico e que apresente propostas que beneficiem “o meio cristão”. “Agora, pessoas que nunca foram evangélicas na vida e em época de eleição querem se candidatar à custa do povo de Deus? Aí já é querer brincar de ser crente”.

Já o internauta Ezequiel Araújo garantiu que até o momento não viu candidato algum citar o nome de “Deus em vão” e assegurou que os que manifestaram apoio falam “em nome da comunidade evangélica”, a qual precisa de representantes nas Casas Legislativas “para lutar contra Projetos de Lei” que, na avaliação dele, não tem a devida qualidade.

A Critica / Portal Padom

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