Mãe assassinou filhos por conta de distúrbio mental

Em entrevista coletiva, na manhã desta quarta-feira, 7, o delegado do 5º distrito policial Arnaldo Soares de Carvalho revelou o que levou Arlene Régis dos Santos, 35 anos, a matar seus dois filhos, Abelardo Pedro Nobre Neto, 12, e Anthony Pedro dos Santos, 7, por esfaqueamento e asfixia e tentar assassinar o terceiro, um adolescente de 15 anos, que conseguiu fugir para a casa de vizinhos na madrugada do último dia 29.Foi descartada a possibilidade de um ritual de magia negra, como fora divulgado anteriormente. Arnaldo informa que Arlene sofre de Transtornos dissociativos, se sentia desprezada pelo ex-marido, Abelardo Pedro Nobre Junior, que alimentava a possibilidade da reconciliação do casal.
O inquérito policial colheu informações de diversas testemunhas: do filho sobrevivente, do próprio Aberlado, da irmã da acusada, vizinhos, entre outras pessoas. A conclusão do delegado foi que houve certo desprezo por parte de Abelardo que, mesmo sabendo que Arlene tinha uma paixão obsessiva por ele, permanecia a alimentar essa obsessão com saídas frequentes.
Além disso, Abelardo, para poder ter um tempo longe de Arlene, fazia muitas viagens, o que a deixava mais nervosa. “Ele dizia que ia viajar a trabalho, mas naverdade ia encontrar com outra mulher”, informa o delegado.
O inquérito diz também que houve rumores no presídio onde Arlene estava detida de que ela teria tentado suicídio, por esse motivo, a acusada foi transferida para o manicômio do sistema prisional, onde passou por exames psicológicos.

Diário do crime
Arlene anotava todos os detalhes da relação que possuía com Abelardo. Em um caderno, ela falava das brigas, das saídas, das separações e reconciliações do casal. A briga que culminou na morte das crianças foi a ocorrida no dia 28, um dia antes do crime. Nessa última discussão, Abelardo teria dito que não voltaria mais para Arlene.
Arlene teria rasgado todas as roupas do marido. Ao ver a cena, o filho mais velho perguntou à mãe o que estava acontecendo e se ela estava bem. A resposta da mãe foi curta, fria e calculista: “Estou bem, amanhã vocês vão acordar num lugar melhor, no paraíso”.
Na noite daquele dia, Arlene dos Santos deu remédio sedativo às crianças. O mais velho, assustado com o estado da mãe, não tomou o remédio, cuspindo-o fora. Acordou na madrugada com a mãe tentando asfixiá-lo. O adolescente conseguiu escapar das garras da mãe e correu para a casa de vizinhos, que acionaram a polícia.
A cena do crime era macabra. Dentro da casa, os policiais encontraram mãe desesperada, aos prantos, deitada ao lado do corpo dos filhos, rodeada de velas, com flores e algumas fotos dos meninos. As fotos serviriam para que eles chegassem mais rápido ao paraíso.

Autos do inquérito
Foi totalmente descartada a ideia da prática de magia negra. A acusada teria utilizado esse argumento para tentar se livrar das acusações. Segundo testemunhas da igreja Universal, onde congregava no bairro do Salvador Lyra, uma entidade se manifestou, mas foi expulsa pelos evangélicos do templo religioso e jamais poderia retornar ao corpo de Arlene.
Já os membros do centro de candomblé que ela frenquentava, em Atalaia, informaram que já presenciaram manifestações em Arlene, mas que na maioria das vezes eram entidades pacíficas. Quando ela se demonstrava agressiva, toda a fúria era direcionada ao marido, Abelardo, o que, muitas vezes, fazia os membros do centro duvidarem se aquilo era realmente uma manifestação.
O inquérito, segundo o delegado Arnaldo Soares, está bem instruído. Só estão faltando os laudos da perícia do Instituto Médico Legal – IML, que serão entregues amanhã e, amanhã mesmo, o relatório será enviado ao Ministério Público, que tem de 8 a 10 dias para tomar a decisão final.
“O MP terá bons argumentos para tomar a decisão correta em relação ao destino de Arlene”, afirmou. O delegado lamenta, também, o fato de a constituição brasileira só permitir prender os criminosos na cadeia por, no máximo 30 anos.
Arlene foi indiciada por duplo homicídio e tentativa de homicídio.

Deixe sua opinião