Nadja Barbosa diz que estudante não andava em grupinhos.

O exame de necropsia do corpo da estudante Maria Luiza Bezerra Fernandes já foi feito pelo médico perito Francisco Ferreira Sobrinho, do Instituto Técnico Científico de Polícia (Itep) e deve ser entregue hoje à delegada Adriana Shirley Caldas, titular da Delegacia Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente (DCA) e responsável pela investigação do crime ocorrido contra a jovem.
O médico conversou com a TN e revelou que a causa da morte de Maria Luiza foi “asfixia por estrangulamento”. “Além disso, foi verificada uma penetração no canal vaginal dela com um objeto de madeira que resultou em uma perfuração uterina”, declarou.
O requinte de crueldade com que Maria Luiza foi assassinada chocou até mesmo o perito que tem anos de experiência dentro do Itep. “Foi uma coisa terrível isso que fizeram com essa menina”, comentou.
Ferreira Sobrinho informou que “a parte interna e externa do corpo dela foi examinada”. Questionada se a vítima foi morta no mesmo dia em que desapareceu (21 de abril), o médico confirmou a informação. “Como exemplo, posso dizer que no crânio dela havia apenas o couro cabeludo”, disse.
O responsável pela necropsia no corpo da estudante também afirmou que “foram encontradas lesões no pescoço dela”. Segundo ele, isso demonstra que quem matou a jovem não apertou apenas a camisa envolta no pescoço da garota como também o pressionou.
O funcionário do Itep contou que já manteve contato com a delegada Adriana Shirley, sobre o exame de necropsia. À frente da DCA nos últimos cinco anos, Adriana Shirley não se recorda de um caso de violência tão brutal contra uma adolescente.
Designada pelo delegado geral de Polícia Civil, Elias Nobre de Almeida Neto, por este caso ter sido registrado em sua delegacia, Adriana Shirley não tem ideia da motivação para um crime violento como o da estudante. “É difícil saber o que passa na cabeça de um marginal. Uma pessoa saudável não pensa como esse ofensor da garota”, comentou.
Indagada acerca do comentário no bairro onde a vítima morava que outras duas garotas também estavam desaparecidas, a delegada disse que também ouviu isso, mas não teve qualquer comunicado oficial desses desaparecimentos.
Ela lembra que, no começo da investigação, o caso de Maria Luiza foi tratado como um desaparecimento. “Este é o primeiro caso que investigo de desaparecimento seguido de morte”, confidenciou.
Agora, além da necropsia, que deve ser entregue hoje, a responsável pela investigação do assassinato da estudante aguarda os laudos de local de crime e o pericial nas roupas de Maria Luiza.
Junto aos pais de Maria Luiza, a delegada disse que conseguiu senhas de e-mails e do orkut (site de relacionamentos na internet) da jovem. “Já tive acesso a ambos e vamos continuar analisando”, declarou.
Adriana Shirley informou que nessa investigação conta com o apoio da equipe da Delegacia de Capturas (Decap), chefiada pelo delegado Maurílio Pinto de Medeiros, e do setor de Inteligência da Polícia Civil do Rio Grande do Norte.

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Estudante era considerada recatada
Maria Luiza era uma menina alegre, porém recatada, discreta. É o que garantem amigos e familiares. A menina de 15 anos sonhava em ser advogada e já tinha avisado à mãe dela, que via o desejo com preocupação. Ela achava a profissão perigosa, e tinha medo que com o exercício da advocacia, pudesse ficar “marcada” ou ganhar inimigos.
Mesmo assim, a estudante, que prestaria vestibular no ano que vem insistia: queria ser advogada. Maria passava praticamente todo o dia no Colégio Atheneu, onde a mãe tem uma cantina. Assistia às aulas pela manhã, mas no intervalo ia para o pequeno comércio, ajudar a mãe. No turno vespertino, continuava lá, atendendo os estudantes na lanchonete. Depois ia para casa, e não saía à noite.
Maria vivia cercada de amigos. Grande parte deles, da igreja evangélica de que fazia parte, desde nascida. E os amigos dizem que ela ia aos cultos frequentemente, sendo praticante da fé que tinha. Os parentes garantem: ela não frequentava festas, não tinha o costume. Aliás, nunca havia ido sequer a um estádio de futebol.
A adolescente foi morta enquanto usava uma camisa do América. Mas tinha também uma blusa do Vasco da Gama, do São
Paulo e do Náutico. Gostava de usar as blusas, das cores, do desenho, aprendeu com o pai. Mas os parentes afirmam veementemente: Ela não pertencia a qualquer torcida organizada. Com a ilação lançada na imprensa, tios dela chegaram a procurar integrante da torcida Máfia Vermelha e eles também negaram a participação da menina no grupo.
“Eu conheço a menina que estou descrevendo. Vi Maria nascer e crescer. Era uma menina sossegada, recatada. Não andava em grupinhos ou festinhas”, garante a vendedora Nadja Barbosa, amiga íntima da família. O sargento da PM, Gildenor Bertuleza, marido de Nadja, corrobora as afirmações sobre Maria. “Ela nunca deu trabalho aos pais. Sabemos do que estamos falando”, disse.
A família também guarda boa impressão do namorado de Luiza. Os dois namoravam há dois meses, e desde o início ela contou para a mãe. A única ressalva feita foi pelo fato de o garoto não ser evangélico, mas quanto à índole dele, as informações repassadas aos parentes foram as melhores possíveis. “Ele também não é de torcida organizada. E uma conhecida minha foi professora dele. E disse que era um menino muito bom, tranquilo”, disse Nadja.

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Caso em 2007 também choca a todos
Em agosto de 2007, um crime também marcado pela brutalidade aconteceu na travessa Pedro Urbano, que serve de depósito para as bancas da Feira do Carrasco, nas Quintas. Às 6h40 da manhã de 26 de agosto, moradores das imediações da feira, encontraram o corpo de Leide Valquíria Lucas da Costa, de 21 anos.
Ela, que era portadora de distúrbios mentais, segundo parentes, estava despida e com marcas de violento espancamento. A vítima, segundo o Itep, foi morta por enforcamento e estava embaixo de uma banca de feira.
Em necropsia no Itep foi encontrado um copo plástico e um anúncio de supermercado dentro da vagina da vítima. O corpo apresentava ainda lesões e escoriações no rosto, pescoço, braços e pernas.
As lesões no braço e pescoço, segundo a polícia, eram típicas de espancamento. Mas as lesões das pernas davam a impressão de que o corpo foi arrastado ao local onde foi encontrado.
As investigações começaram com o 7º Distrito Policial, nas Quintas, mas logo passaram para a Dehom sob a responsabilidade da delegada Andréia Matos Teixeira, à época na Especializada.Depois das investigações, a polícia prendeu o reciclador de lixo Jonison Pereira Gomes, o “Queimado”, apontado como autor.
Segundo a denúncia do MP, “no dia do fato, a vítima foi vista em companhia do acusado, o qual teria combinado a realização de um ‘programa’ com esta e acertado o pagamento no valor de R$ 20. Ocorre que a vítima havia discordado do referido valor e aumentado para R$ 50, momento em que o acusado rebateu tal fato e começou a sessão de agressões contra a vítima, primeiramente, asfixiando-a, arrastando-a pelas ruas e, com requintes de crueldade, estando a vítima desfalecida, passou a empreender mais violência, quebrando seus braços e pernas e lesionando sua face e cabeça”, cita a denúncia. Ainda de acordo com o que foi apurado, as provas apontam que Queimado asfixou a Leide Valquíria, levando-a à morte e depois introduziu objetos na vagina da vítima já morta.

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Maurílio Pinto acompanha investigação
Titular da Delegacia de Capturas (Decap), o delegado Maurílio Pinto de Medeiros já acompanhou outros casos de repercussão e brutalidade como o da estudante Maria Luiza.
O experiente delegado não descarta qualquer linha de investigação. Contudo, ele fez ressalva quanto a uma delas. “Eu acho que essa coisa de briga de torcida é muito difícil de ter acontecido, mas não é impossível”, comentou.
Maurílio Pinto informou que está “dando suporte” às investigações conduzidas pela delegada Adriana Shirley, da DCA. “Vamos continuar ajudando no que for necessário para elucidar esse crime”, afirmou. O titular da Decap comentou que “quem fez isso com ela só podia estar com muita raiva”. O “xerife” também declarou que “a pessoa que a pegou foi logo para matar” não acreditando muito na versão de sequestro ou desaparecimento da vítima.
Em um crime como este, ele acredita que mais de uma pessoa tenha participação no assassinato de Maria Luiza. Com relação ao rumor que outras duas jovens do Bom Pastor, bairro onde a vítima morava, estariam desaparecidas, o delegado negou ter informações desses casos. “Até agora não me chegou nada disso aqui”, frisou.
Para o delegado, nenhuma linha de investigação deve ser descartada em um momento como este da investigação. “Tudo deve ser aproveitado nos depoimentos, diligências e coleta de provas”, disse.

Tribuna do Norte/www.padom.com

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