“É bíblico irmãs ungirem enfermos e darem óleo para eles beberem?”

A Concordância Bíblica aponta 24 citações onde aparece a palavra unção e 83 com o verbo ungir. Há nas Escrituras somente um caso em que a unção foi feita por uma mulher e este aconteceu quando Maria ungiu Jesus com ungüento de nardo puro, trazido num vaso de alabastro. Esta unção não parece terapêutica, senão de honraria e não consta que Jesus estivesse enfermo.

A unção era efetuada não somente sobre pessoas (1 Sm 10.1; SI 23.5; SI 133.2); mas também sobre utensílios (Êx 30.26,30); e até sobre animais: “Os pastores da Palestina compunham em ungüento de azeite de oliveira que esfregavam nos focinhos feridos das ovelhas” (cf. SI 23.5 -Douglas). Quando João diz que “vós tendes a unção do Santo” (1 Jo 2.20-27), ele fala em termos de discernimento entre o que é proveitoso à fé e o que se demonstra como armadilha: v.26. Por meio desta “unção”, isto é, pela operação do Espírito, o crente discerne a heresia, da boa doutrina, e é exortado a aderir à mensagem apostólica.

Pessoas ou coisas eram ungidas no AT, a fim de significar santidade ou separação para Deus. Desse modo podiam ser ungidas pedras, ou montes de pedras (Gn 28.18); peças do templo, etc: Ex 30.26,27. Certo tipo de unção era tido como especial, a ponto de ser proibido o seu uso em outras circunstâncias: Êx 30.31-33,37,38. A unção conferia poder e autoridade ao ungido: 1 Sm 10.1; 16.12,13. A unção era feita com azeite composto de uma mistura de perfumaria (Êx 30.34-38), que, de acordo com a idade de sua composição, aumentava de preço: Mt 26.7.

O termo “Mirgahath Shemen”, em grego “Myron”, designa ungüentos de várias espécies largamente empregadas no Oriente, primariamente como cosméticos. Os egípcios serviam-se do ungüento para uso medicinal, mas o empregavam também para abluções em casos onde a água para o banho era escassa. Os hospedeiros colocavam sobre a testa do visitante cones providos de ungüento que diluía ao calor do corpo, atingindo o rosto e até as vestes. Esse costume foi assimilado pelos sionistas e demais povos do Oriente. Nos tempos neo-testamentários, os enfermos eram freqüentemente ungidos (Lc 10.34; Tg 5.14), e essa atribuição na igreja era um privilégio dos anciãos (presbíteros e pastores), não constando qualquer permissão para as irmãs ou demais irmãos, nem mesmo para os diáconos, ungirem enfermos. Assim, o atual costume das irmãs ungirem enfermos não encontra apoio bíblico.

Extraído do livro: A Bíblia Responde – CPAD

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