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Roberto Chem com Letícia, sua filha, e Vera, sua mulher. Os três estavam no voo 447 a caminho de fériasUm dos passageiros do voo 447 era Roberto Chem, um dos mais renomados cirurgiões plásticos do país. Ele estava no voo com a mulher e a filha
Um dos passageiros do voo 447 era Roberto Chem, um dos mais renomados cirurgiões plásticos do país. Ele estava no voo com a mulher e a filha
Há cerca de um mês, aos 66 anos, o cirurgião plástico gaúcho Roberto Corrêa Chem tornou-se o quinto professor titular de cirurgia plástica do Brasil. Professor das disciplinas de anatomia e cirurgia plástica da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, o título era um sonho antigo. Uma espécie de coroação para uma carreira bem sucedida. Com centenas de trabalhos publicados aqui e no exterior, o médico ainda se submeteu a uma banca com outros quatro titulares que o aprovaram com louvor. “É um título extremamente difícil, o ápice da carreira. Tanto que só há cinco no país. É como chegar a General do Exército”, diz o amigo Paulo Roberto Fontes, cirurgião geral.

Chem estava tão feliz que, para comemorar, decidiu fazer algo que raramente se permitia fazer: tirar um mês inteiro de férias para conhecer as ilhas Gregas e Istambul, junto com a mulher, a psicóloga Vera Chem, 63 anos, e a filha do meio, Letícia, de 36 anos, gerente de roaming internacional da operadora Oi. “Ele viajava para participar de congressos e sempre por períodos curtos, raramente tirava férias”, diz Fontes.

Na sexta-feira, dia 29 de maio, pela manhã, Chem auxiliou o filho, Eduardo Chem, 38 anos, também plástico, numa cirurgia. À tarde, esteve no seu consultório, na clínica que leva seu nome, num bairro nobre da capital gaúcha, para atender a um último e especial paciente antes de entrar em férias. O anestesista Luiz Alfredo Jung trabalhava com Chem há mais de duas décadas. “Eram uma dupla inseparável”, lembra o filho. Chem fizera uma pequena intervenção na orelha do colega, que foi ao consultório para tirar os pontos e se despedir do amigo.

No domingo, Chem embarcou num voo da Air France rumo às merecidas férias. Na segunda-feira às 7:15 da manhã, quando chegava ao Complexo Hospitalar Santa Casa, em Porto Alegre, onde ele e o pai trabalhavam, Eduardo escutou no rádio a notícia sobre o desaparecimento de um avião da Air France que fazia a rota Rio de Janeiro/Paris. Telefonou imediatamente para a esposa e pediu que ela checasse o número do voo em que estavam seus pais e a irmã. Era o AF447.

O filho se emociona ao lembrar da última cirurgia conduzida em parceria com o pai na sexta-feira anterior ao acidente. Diz que Chem foi um grande professor. “Ele era detalhista, didático. Amava o que fazia”, diz. Eduardo deu ao pai dois netos, um menino de 8 anos e uma menina de apenas um. Chem seria avô novamente em breve. Sua caçula, Carolina, 30 anos, psicóloga como a mãe, está grávida.

A irmã deles, Letícia Chem, 36 anos, também nascida na capital gaúcha, estava no vôo com os pais. Formada em Comércio Exterior pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) em 1994, era gerente de roaming internacional da operadora de telefonia Oi. Ela morava no Rio de Janeiro desde maio de 2002. Antes de se mudar para a capital fluminense, Letícia trabalhou de 1998 a 2002 na operadora Claro. Ela é separada e não tem filhos.
A confirmação de que um dos mais conceituados cirurgiões plásticos do país estava no voo com a mulher e uma filha deixou em choque a comunidade médica do Rio Grande do Sul e do país. “Ele é um grande cirurgião plástico, uma pessoa de grande qualidade moral e ética”, diz Ivo Pitanguy, um dos maiores nomes da cirurgia plástica mundial e amigo de Chem. Em Porto Alegre, Pitanguy participou duas vezes como professor convidado da Jornada do Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa , organizada por Chem.

Natural de Bagé, no interior gaúcho, Roberto Corrêa Chem é uma das principais referências em transplante de pele e células-tronco do país. Formado em 1969 na Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, fez mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Antes de ser médico, foi biólogo e, há 40 anos, chegou a dar aulas da matéria em cursinhos pré-vestibular de Porto Alegre. Já médico, Chem fez o primeiro reimplante de mão do Rio Grande do Sul, em 1978. Era diretor do Banco de Tecidos Humanos – Pele do Hospital Dom Vicente Scherer, chefe do Serviço de Cirurgia Plástica da Santa Casa de Porto Alegre e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. O médico foi pioneiro, ou inovador, em outras práticas cirúrgicas. Junto com o amigo Fontes, fez diversas microcirurgias em pacientes que haviam perdido o trato digestivo e não conseguiam mais alimentar-se pela boca. Alguns dos pacientes dessas intervenções vinham de outros estados brasileiros especialmente para ser operados por Chem e permitiram que as cirurgias fossem gravadas em vídeo e apresentadas nos Estados Unidos, na Alemanha e na Áustria, tornando a técnica internacional. Ele possibilitou a vários pacientes voltar a engolir alimentos.

Pela trajetória na cirurgia plástica, Chem foi reconhecido em dezembro do ano passado como um dos médicos mais admirados do Brasil, segundo levantamento feito junto à classe médica pela Revista Análise. Dos 2,3 mil médicos citados, ele foi um dos 128 do Rio Grande do Sul e o segundo gaúcho em sua área de especialização.

O Banco de Tecidos e Pele é um dos maiores legados de Chem. Criado em 2005, o banco idealizado por ele é o único em funcionamento hoje na América do Sul. O material armazenado ali auxilia na recuperação de pacientes vítimas de queimaduras graves. Em julho de 2006, o médico realizou o primeiro transplante de pele entre pessoas diferentes no território gaúcho. Em breve, o banco deve receber seu nome.

Membro do corpo médico do Complexo Hospitalar da Santa Casa desde 1970, Chem é o principal personagem da próxima edição da revista da Santa Casa que vai circular a partir do dia 15 de junho. A reportagem de capa da publicação semestral vai abordar a cirurgia plástica e, antes de viajar, Chem ajudou a equipe da área de comunicação social do hospital a elaborá-la. O artigo mostra que, a cada semana, cerca de 200 pessoas colocam a solução de problemas sérios – recuperar partes do corpo afetadas por procedimentos cirúrgicos, como retiradas de tumores, alteração de traços congênitos, etc. – nas mãos dos profissionais da equipe liderada pelo doutor Chem. Com três décadas de experiência e empolgação de um recém-formado, como descrevem seus colegas, Chem atendia com a mesma alegria pacientes particulares, de convênios ou do SUS. Costumava guardar registros de seus pacientes desde crianças. Muitos deles se surpreendiam ao voltar a consultá-lo já adultos e descobrir que o doutor Chem tinha até desenhos feitos por eles quando crianças. Antes de viajar, ele procurou a jornalista Graciele Garcia, editora da revista do hospital. Ela perguntou se ele gostaria que ela enviasse por email uma cópia da reportagem de capa para que ele olhasse durante as férias. “Vou estar numa ilha grega, mas pode enviar que vou acessar o correio só para ver a revista”, ele respondeu.

A mulher de Chem, Vera, era coordenadora do Núcleo de Vínculos e Transmissões Transgeracionais de Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre (SBPdePA), professora do curso de psicoterapia psicanalítica do Instituto Abuchaim, desde 1997, e coordenadora do Grupo de Atendimento e Estudos em Psicoterapia, do qual é uma das sócias. A instituição atende pacientes e oferece cursos a profissionais da área. Natural de Porto Alegre, ela se formou na Pontifícia Universidade Católica (PUCRS) em 1978.

Época/www.padom.com

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