Grupo Nós do Morro revive no CCJF o histórico espetáculo ‘Opinião’

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Nós do Morro - em cartaz

Política e sexo sempre rendem debates acalorados em qualquer mesa de bar. Há 45 anos, porém, falar sobre esses temas era um risco. Em cima de um palco, então, uma grande ousadia, assumida por uma trupe de corajosos encabeçada por Oduvaldo Viana Filho, Armando Costa e Paulo Pontes, que montaram o histórico show “Opinião”, em 1964 (ano do golpe militar), com a direção de Augusto Boal, morto há um mês. Os tempos são outros, a realidade mudou, mas outras ditaduras repressoras surgiram. Esse é o mote de “Outra opinião”, nova peça do grupo Nós do Morro, que estreia quinta-feira (04.06) no Centro Cultural da Justiça Federal, às 19h30m.– O Boal mesmo dizia que é difícil remontar “Opinião”, pois ele refletia os dramas daquela época. A ideia nasceu do debate para pensar em um novo espetáculo, e dele surgiram diversos comentários sobre as nossas muitas realidades – conta Paulo Gianini, que assume pela primeira vez a direção do grupo e também assina o roteiro. – Vivemos na ditadura da violência, da beleza, de um comportamento padrão. Daí a importância de se falar sobre todas essas questões.
Na década de 60, o recado era dado por Nara Leão, Maria Bethânia, João do Vale e Zé Kéti. Desta vez, são 30 atores que se revezam no palco. A música continua sendo o fio condutor entre os depoimentos, desta vez com canções de compositores contemporâneos como Pedro Luís, Arnaldo Antunes, Céu, Marisa Monte, Lirinha e outros.
– Assim como na época da ditadura, é preciso peitar hoje uma série de imposições que nos cerceiam, como é o caso da violência e do tráfico, muito presentes no Vidigal, de onde vem o grupo – acredita a atriz Fernanda Ferreira, que interpreta uma menina de 20 e poucos anos que engravida e, sem família, vai morar com uma amiga. A personagem de Fernanda quer abortar, mas a amiga é contra:
” é preciso peitar hoje uma série de imposições que nos cerceiam ”
– É um dilema muito comum, mas a ideia não é levantar bandeiras, mas sim propor questionamentos. E, como os temas surgiram das nossas vivências, são todos bastante atuais.
Outro tema espinhoso é o que o ator Leonardo Imperador chama de “ditadura da religião”. Ele interpreta um habilidoso pastor que leva a plateia a um grande culto.
– O pastor simboliza todas as religiões, mostrando ali como funciona esse jogo de sedução em que você tem de dar algo material para alcançar o Reino dos Céus – diz Leonardo.
Para ele, é preciso mexer com uma sociedade anestesiada e sem opinião:
– Nosso papel como atores cidadãos é instigar e provocar. Vai ser ótimo se colocarmos a galera para pensar.

Globo/www.padom.com

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