Governo peruano pede intervenção da Igreja católica na Amazônia

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amazoniaLIMA, 9 JUN (ANSA) – O governo peruano pediu hoje para a Igreja Católica intervir no conflito entre autoridades locais e indígenas, que já causou a morte de mais de 30 pessoas.
Fontes governamentais disseram à ANSA que o primeiro-ministro peruano, Yehude Simon, foi até a sede da Conferência Episcopal Peruana, presidida por Dom Miguel Cabrejos Vidarte, pedir sua intervenção. As comunidades indígenas, que reúnem cerca de 400 mil pessoas, protestam desde o dia 9 de abril contra decretos aprovados pelo presidente Alan García que permitem a exploração privada de madeira e outros recursos naturais da região amazônica.
Na última sexta-feira, nativos e policiais se enfrentaram quando as autoridades decidiram retirar os manifestantes peruanos que bloqueavam a estrada Fernando Belaunde Terry há dez dias.
De acordo com o governo, morreram 24 policiais e nove civis nos enfrentamentos, porém representantes indígenas denunciam o desaparecimento de mais de 100 manifestantes.
Em consequência dos confrontos, a ministra peruana da Mulher e do Desenvolvimento Humano, Carmen Vildoso, renunciou ao cargo, declarando se opor à postura das autoridades nos conflitos.
Vildoso apresentou sua renúncia na noite de segunda-feira, de maneira irrevogável, enquanto Simon e a ministra do Interior, Mercedes Cabanillas, prestavam esclarecimentos sobre o episódio diante da Comissão de Defesa do Congresso.
Por sua parte, a organização civil Anistia Internacional (AI), de proteção aos direitos humanos, manifestou “muita preocupação” com a “situação crítica” na Amazônia peruana.
De acordo com a AI, ainda que as autoridades tenham a obrigação de garantir a ordem e o cumprimento da lei, “devem fazê-lo com o uso proporcional da força, cumprindo em todo momento com suas obrigações em relação aos direitos humanos”.
A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), por sua parte, exigiu hoje que o governo peruano suspenda as ações violentas contra os nativos. “Nenhum argumento de ordem econômica, ainda menos de ordem ideologia ou ainda comercial justifica a agressão contra os direitos indígenas que são também os direitos dos peruanos em geral”, afirmou.
A maior organização indígena equatoriana pediu ainda que o Congresso do país revogue os decretos que causaram os conflitos, além de pedir a intervenção da Organização das Nações Unidas (ONU).

ANSA/padom.com

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