A Federação Israelita do Estado do Rio (Fierj) vai pedir explicações ao proprietário de uma casa na Gávea, Zona Sul do Rio, que está no centro de uma polêmica após denúncias de que o imóvel exibe símbolos nazistas.

A casa serviu de cenário para uma festa da Adidas, na última sexta-feira (22), quando convidados fotografaram o quadro de um oficial nazista e um desenho na borda da piscina semelhante a uma suástica.

As imagens – incluindo outro quadro, da Marinha alemã – foram publicadas no blog do colunista do jornal “O Globo”, João Paulo Cuenca, que estava presente na festa. A presidente da Fierj, Lea Lozinsky, informou nesta terça-feira (26) que por enquanto não pensa em entrar na Justiça. Segundo ela, o departamento jurídico da entidade entrará em contato com o proprietário da casa, o advogado Luiz Fernando Penna.

“Nós vamos interpelá-lo, mas não judicialmente. O objetivo é saber: se é uma casa que se aluga, por que esses símbolos nazistas?”, explicou Lea. “Nós não podemos avaliar porque só vimos as fotos no blog. Todas as providências que tomamos são muito bem pensadas”.

Casa serviu de cenário para filme

Antes de abrigar a festa da Adidas, a casa já foi usada em outros eventos e já serviu de locação para filmagens do filme “Meu nome não é Johnny”. O proprietário do imóvel, o advogado Luiz Fernando Penna, afirma que coleciona esculturas e objetos antigos em geral.

“Ao lado dessa placa da Marinha, havia uma placa da União Soviética, assim como uma placa de 1570 da Itália. Mostra que era apenas uma coleção de peças. Ninguém pode ser nazista e comunista ao mesmo tempo”, disse.

Ele afirma ainda que o quadro do oficial nazista – que teria ganhado ao comprar peças de um colecionador – estava num depósito que não fazia parte da área destinada à festa. Penna nega ainda que o símbolo na borda da piscina seja uma suástica.

“É um friso que se encontra frequentemente na Grécia e na China. São peças interligadas”, disse o advogado.

Adidas divulga nota

Em nota, a Adidas informou que desconhecia a existência de símbolos nazistas na casa e lamenta o fato. De acordo com a empresa, o local foi alugado pela empresa responsável pela produção do evento por possuir os pré-requisitos básicos para a organização da festa e por já ter sido usado em outros eventos.

“Os adereços citados pelo colunista João Paulo Cuenca fazem parte da decoração da casa e a relação dos mesmos com o nazismo não foi notada pela organização antes da realização da festa. A marca esclarece ainda que se soubesse que a casa possuía adereços que pudessem ser relacionados ao nazismo certamente solicitaria a pronta retirada dos mesmos ou uma mudança no local do evento”, diz a nota.

Fonte: G1 www.padom.com

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