Para colaborador de Bento 16, decisão de arcebispo de Olinda e Recife em caso de menina de nove anos foi apressada.
De acordo com Monsenhor Rino Fisichella, autoridade do Vaticano em bioética e presidente da Academia Pontifícia para a Vida, a excomunhão dos médicos que praticaram o aborto na menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto em Recife, não é digna de aprovação. No seu entendimento, o arcebispo José Cardoso Sobrinho emitiu um julgamento apressado, sem colocar em primeiro lugar a vítima maior que foi a garota. “São outros que merecem a excomunhão e nosso perdão”, afirma Fisichella.

A excomunhão fez o caso ganhar as páginas dos jornais do mundo e abalou a credibilidade da Igreja Católica. Segundo Fisichella, esse tipo de posicionamento radical gera um ambiente que contradiz os ensinamentos cristãos, não protegendo uma vida inocente e agindo de forma desumana sem a misericórdia própria dos homens de Deus.

O ponto central do debate é a contraposição entre a vida e a morte. Se, por um lado, a moral e os princípios católicos defendem a vida desde a sua concepção, de outro, a menina de 9 anos corria risco de morte. Sendo ela inocente, em relação ao desrespeito desumano e violência cometida pelo padrasto, a posição dos médicos em lidar com os riscos que corria deve ser considerada a partir de uma abordagem profissional, com respeito e mais humanidade. O Monsenhor Fisichella acredita que essa foi “uma história de violência que, infelizmente, teria passado despercebida se não fosse pelo alvoroço e pelas reações provocadas pelo gesto do bispo”.

(Fonte: BBC)

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