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dicussoes-tolasAlgumas de nossas igrejas desfrutam da mesma abertura e liberdade de expressão de uma ditadura comunista. Onde estão os pastores capacitados para conduzir a igreja a uma saudável diversidade de opinião?

Pelas baixarias adolescentes que retratam – e por seu extraordinário mau gosto – o velho filme de John Belushi, Clube dos cafajestes (Animal House), não é exatamente um lugar de onde se possa esperar algum tipo de insight pastoral. Recentemente, enquanto ‘surfava’ pelos canais da minha televisão, parei por alguns segundos numa cena que prendeu minha atenção. Um jovem universitário, membro de uma fraternidade estudantil, convida sua namorada para uma festa da toga. Ela diz que ele é muito maduro e inteligente para participar daquele tipo de festa – na realidade, ela não quer que ele vá ao evento. Quando ele protesta dizendo que é membro de uma fraternidade e que não tem escolha, ela diz: ‘Eu vou escrever um bilhete para eles.
Vou dizer que você está muito bem da cabeça para participar de algo assim’.

Continuei surfando pelos canais, mas não pude me livrar da frase: muito bem da cabeça para participar de algo assim. Fiquei pensando: E se a igreja organizasse uma festa das discussões e todos estivessem muito bem da cabeça para participar de algo assim? Será que algumas discussões, especialmente algumas discussões religiosas, atrairiam apenas pessoas que não estivessem muito bem cabeça? Quais de nossas discussões contemporâneas são deste tipo, e como alguém pode saber?

Nós pastores estamos construindo certos tipos de capital a cada dia: não apenas capital financeiro ou político, mas algo muito mais precioso: capital espiritual e social. Discussões tolas rapidamente consomem as reservas espirituais e relacionais da igreja, freqüentemente deixando estas contas vazias e a igreja falida moralmente.
Suponho que haja duas maneiras de se evitar a festa das discussões.

Primeira maneira: a igreja pode se apressar para tomar uma posição oficial em cada questão polêmica prevenindo-se contra as discussões através do estabelecimento de uma uniformidade de opinião.
A não-pretendida conseqüência desta abordagem, porém, é a seguinte: na medida em que casos são fechados, também mentes e portas são fechadas – para aqueles poucos que não compreenderam a questão ‘corretamente’. Jesus disse que mesmo os sem-Deus amam seus amigos; a marca de seus seguidores seria a capacidade que teriam de amar o inimigo. Como uma igreja fechada à diversidade de opinião manifesta o amor de Jesus?

Segunda maneira: a igreja pode evitar a festa das discussões através da criação de uma censura tácita, velada, do tipo ‘desencorajadora de palavras’. ‘Você pode pensar o que quiser, apenas não se pronuncie a respeito’. Isto talvez funcione, como na canção popular, para algumas casas isoladas nas montanhas, mas seria este um bom ambiente para se formar discípulos de Jesus – pessoas que buscam a verdade, desconfiam das ilusões, lutam com paradoxos e se amam mutuamente com tamanha intensidade, que não podem permitir que outro simplesmente seja levado pelo engano?

Se discussões são fatos da vida, e talvez até um necessário contexto para o desenvolvimento das virtudes cristãs e do discipulado, como podemos criar comunidades onde conflito, tensão e diversidade de opinião se mantêm dentro de parâmetros saudáveis? é possível discutirmos sem falirmos nosso capital espiritual e social?

Algumas de nossas igrejas desfrutam da mesma abertura e liberdade de expressão de uma ditadura comunista, enquanto outras se assemelham ao clube dos cafajestes onde baixarias são freqüentes. Onde estão os pastores capacitados para conduzir a igreja a uma saudável diversidade de opinião?

Para encontrar bons modelos, nós talvez tenhamos que voltar ao apóstolo Paulo e aqueles estranhos capítulos acerca das comidas sacrificadas aos ídolos (1 Coríntios 8-10, Romanos 14-15, Atos 15). Paulo não requer das pessoas que concordem entre si, mas as encoraja a estarem (a) convencidas em suas próprias mentes sobre o que pensam, e a (b) não julgarem o irmão ou a irmã que está convencido de modo diferente. Ele os orienta a focar menos no que está errado, e mais em como podemos gerenciar nossas próprias opiniões para a bênção e o bem daqueles que pensam diferente. Ele eleva o discurso a um nível mais alto, emoldurando-o de uma maneira nova.

Pense em discussões que estão tragicamente dividindo a igreja hoje (não vou mencionar nenhuma específica, mas nós poderíamos provavelmente nomear as três principais). Então, pense em discussões que não estamos tendo, mas provavelmente deveríamos – como, por exemplo, se a clássica teoria da guerra-justa não precisaria ser repensada em vista da realidade de armas nucleares e bioquímicas. Ou, o que nós cristãos deveríamos fazer se outro genocídio como aquele ocorrido em Ruanda dez anos atrás começasse hoje em algum outro lugar do mundo? Ou, como podemos persuadir as pessoas a viver uma vida moral mais elevada quando a legislação fracassa em realizar o truque? Ou, como nós cristãos deveríamos zelar pela criação?
Talvez estas sejam algumas desconfortáveis discussões que, como igreja, nós deveríamos estar conduzindo.
Enquanto isto, há outras festas populares nas quais temos sido pressionados a entrar, mas deveríamos firmemente declinar do convite. Ou talvez alguém possa escrever um bilhete em nosso nome: ‘Perdoem-lhes, por favor; eles estão muito bem da cabeça para participar de algo assim’.

(tradução de Leandro Marques)

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