Marcha para Jesus espera reunir cerca de 3 milhões de pessoas, enquanto católicos do Interior prometem forrar avenidas com tapetes de serragem em comemoração à Eucaristia; movimentação é marcada por cutucadas entre as igrejas
De um lado, evangélicos de todos os cantos do Brasil lotam as avenidas Tiradentes e Santos Dumont, em São Paulo. Do outro, católicos criam imensos tapetes de serragem em avenidas do Interior. Está criado o cenário das duas celebrações que mobilizarão milhões de pessoas no Estado nesta quinta-feira (23), no feriado de Corpus Christi.
Em Jundiaí, o tapete mais tradiconal é o montado pela Igreja São João Bosco, no Eloy Chaves. A celebração começa às 15h30. Já o bispo diocesano Dom Vicente presidirá missa na Igreja Nossa Senhora do Desterro, às 8h30.
Marcha/ Tradicionalmente celebrada pelos católicos, a data foi escolhida também pelos evangélicos para a Marcha para Jesus, contrariando um decreto assinado em 2009 pelo então presidente Lula, que determina que o evento aconteça no primeiro sábado 60 dias após a Páscoa.
“Optamos por transferir para o feriado para não atrapalhar o trânsito”, afirma o bispo Julio Savani, da Igreja Apostólica Renascer em Cristo, em São Paulo. De qualquer forma, está armado o “embate” com os católicos.
Com orações, trios elétricos e apresentações musicais, a Marcha Para Jesus 2011 espera reunir cerca de 3 milhões de fiéis de diversas igrejas evangélicas. Entre 1991 e 2000, o número de brasileiros que se declaravam evangélicos subiu de 12,5 milhões para 26,1 milhões, segundo o IBGE. Para bispo Julio, essa expansão é fruto da divulgação das igrejas nas rádios, na televisão, por meio dos fiéis e com a ajuda de eventos como o desta quinta-feira (23). “As igrejas evangélicas são muito ativas”.
Procissões/ A Igreja Católica, por sua vez, tem percebido essa mobilização e também busca novas formas de atrair e manter seguidores. “A Igreja não está perdendo fiéis. Os que a deixaram nunca foram católicos realmente convictos, atuantes”, diz o padre Antonio Aparecido Pereira, da Arquidiocese de São Paulo.
Antonio chega a elogiar a conduta das concorrentes. “As Igrejas evangélicas nos prestaram um grande serviço ao fazer-nos entender que não basta batizar as pessoas. É preciso evangelizá-las”, afirma o padre.
Religiosidade popular, por sinal, é a melhor definição para o trabalho de confecção dos tapetes de serragem com símbolos religiosos que enfeitam as ruas de cidades do Interior. “Ficamos felizes de saber que milhões de pessoas irão à rua para marchar para Cristo. Nós católicos, porém, não marchamos para Cristo. Em nossas procissões, vivemos a certeza de marchar com Cristo. ”, diz o padre, “alfinetando” o evento evangélico.

Rede Bom Dia / Portal Padom

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