O fato de a vida de Davi ter sido consideravelmente defeituosa, como vemos a questão das montanhas elevadas da moralidade do Novo Testamento, não admite dúvida. Mas há várias questões que devem ser levadas em consideração na avaliação de sua vida de maneira equilibrada.

(1) A vida de Davi deve ser vista, antes de tudo, em seu contexto histórico. Ele viveu naquele período de “luar” da dispensação mosaica. Aqueles eram tempos difíceis, relativamente primitivos, especialmente em comparação com a maior revelação da era de Jesus Cristo. Portanto, é injusto julgá-lo pelo padrão exaltado da ética do Novo Testamento.

(2) O registro bíblico não tenta ocultar seus erros. Ele lança honestamente e abertamente o holofote sobre seus triunfos e suas tragédias. Essa imparcialidade é uma evidência clara da inspiração das Escrituras sagradas.

(3) Davi teve períodos de fraqueza flagrante (por exemplo, seu pecado com Bate-Seba e o assassinato de Urias). Ele era brutal às vezes – Deus o proibiu de construir o templo por causa de sua violência. Certamente ele era menos do que ideal como pai.

Mas uma coisa é certa – ele tinha uma alma que podia ser tocada com a verdade. Ele não tinha medo de admitir suas transgressões. Ele partiu seu próprio coração por seus lapsos de espiritualidade. Basta ler seus salmos de penitência (por exemplo, Sl 32; 51) para provar a ternura que adornava seu espírito.

Não era tanto a natureza de seus pecados (por mais dolorosos que fossem) que fosse significativa; antes, foi o que ele fez sobre essas manchas quando confrontado com a realidade crua delas (cf. 2 Sam. 12: 13ss).

(4) A vida de Davi não deve ser julgada exclusivamente em termos de seus vales de fracasso, mas toda a paisagem deve ser examinada. O que quer que se possa dizer de algumas de suas ações terríveis, é reconhecido pela maioria que sua conduta foi de progresso. Até Thomas Carlyle, um crítico amargo do cristianismo organizado, descreveu a vida de Davi em termos complementares. Dos salmos do rei pastor, Carlyle escreveu:

Eu considero [estes] o emblema mais verdadeiro já dado ao progresso moral e à guerra de um homem aqui abaixo. Todas as almas sinceras discernirão nela [o livro dos Salmos] a luta fiel de uma alma humana sincera em direção ao que é bom e melhor. Lutas freqüentemente confusas – doloridas confusas – conduzidas como em destroços inteiros; no entanto, uma luta nunca terminou, sempre com lágrimas, arrependimento, verdadeiro objetivo invencível recomeçado”(“ Heroes and Hero-Worship ”, p. 72; conforme citado em McClintock & Strong, Cyclopedia Grand Rapids: Baker, 1968, II, p. 699)

Ao considerar a questão do legado de Davi, pode ser bom para os críticos, que avaliam negativamente o caráter do grande rei – 3.000 anos afastados dos acontecimentos – refletir sobre como os hebreus encaravam a história de Davi. As expressões comuns “cidade de Davi”, “semente de Davi”, “trono de Davi” e “casa de Davi” são testemunhos da estatura do homem – apesar de seus erros. O fato de Jesus se reconhecer como o “filho de Davi” é, por si só, um comentário sobre o status maior do rei celebrado (cf. Mt 22: 42ss; cf. 12:23; 21: 9,15).

Em vista, então, desses vários aspectos da narrativa bíblica, não é difícil ver como Davi pode ser julgado como um grande líder religioso.

por Wayne Jackson

traduzido e adaptado por: Pb. Thiago D.F. Lima

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