Uma criança de 7 anos residente em Barra do Garças morreu no domingo (13), por volta das 14 horas, no Hospital das Crianças de Goiânia (GO). Há fortes suspeitas de que ela tenha sido mais uma vítima de dengue hemorrágica.A menina “L”, que estudava no Centro Social Urbano (CSU) e residia no bairro Santo Antônio, começou a passar mal na terça-feira da semana passada, sendo levada várias vezes ao pronto-socorro local, mas, como isso não resolveu, teve de ser transferida para Goiânia no sábado, já em estado gravíssimo de saúde, com queda considerável das plaquetas, que nada mais é que a diminuição dos glóbulos brancos no sangue provocando a falência múltipla dos órgãos.

Os médicos advertem que a dengue hemorrágica age rapidamente e no prazo de 72 horas pode causar inchaço dos órgãos vitais como fígado, pâncreas e rins, e também insuficiência respiratória.

Uma amiga da família explica que a menina “L” foi levada várias vezes ao Pronto-Socorro de Barra do Garças para receber soro e na sexta-feira recebeu alta, mas voltou a passar mal no sábado, tendo então de ser transferida às pressas para Goiânia, pois não havia vaga disponível em Cuiabá.

Este é outro problema sério que o município de Barra do Garças enfrenta: a falta de leitos na capital do Estado, Cuiabá. “Em casos assim, temos que pedir guia na Secretaria de Saúde de Aragarças (GO) para que o paciente entre em Goiânia como se fosse de Goiás”, conta um amigo da família.

Com mais este caso, passam a ser quatro mortes investigadas e 1.640 casos notificados de dengue no município de Barra do Garças.

Os pais da menina, que são evangélicos, pediram mais empenho das autoridades no combate ao mosquito da dengue. O pai reclamou de um imóvel fechado há cinco anos ao lado de sua casa, na rua Adelino de Souza Lira, fundos do Supermercado Nilo, onde existe uma piscina desativada que está cheia de água suja esverdeada, causando mau cheiro e até com animais mortos dentro. O imóvel pertence a um médico que se mudou da cidade e deixou a casa à venda numa imobiliária. Segundo o pai, a prefeitura precisa pegar uma autorização judicial e entrar nessas casas abandonadas onde existem focos de dengue.

Sobre a morte da filha, a família não quis falar muito, todavia os amigos se queixam da demora para detectar a doença e do processo de remoção que hoje vem acontecendo para Goiânia porque sempre Cuiabá está sem vaga. “Hoje quem pegar dengue tem que sair direto para Goiânia ou direto para o cemitério”, diz um senhor indignado com a situação.

A secretária de Saúde de Barra do Garças, Daniela Salun, disse que toda vez que precisa não tem leito ou não consegue transferência para Cuiabá e então precisa recorrer a Goiânia para não deixar as pessoas morrerem. Já o secretário de Saúde de Aragarças, Wladimir, dias atrás reclamou da situação porque os casos de dengue de Barra estão virando estatística como se fossem de Aragarças e o município tem sido acionado pela Vigilância Estadual de Goiás. “Nós queremos ajudar, mas vai chegar um momento em que vamos ter de suspender esse tipo de atendimento”, explicou.

No mês passado, a vítima foi o menino Iuri, de 9 anos, que, segundo sua família, morreu devido à demora para fazer sua transferência para Goiânia. O pai de Iuri, o empresário Arnaldo Barbosa, explica que o hospital particular onde o filho estava demorou para liberá-lo e isso agravou o seu quadro de saúde. Antes disso, porém, Iuri havia passado pelo Pronto-Socorro, onde o médico plantonista dissera que não era nada e só lhe aplicou uma injeção. O menino desmaiou na saída do Pronto-Socorro.

Olhar Direto / Padom

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