No passado mês de novembro, Charlie Sheen revelou publicamente que estava infectado com o vírus do HIV (vírus da imunodeficiência humana).

 Recentemente, o ator de ‘Two and a Half Man’ revelou numa entrevista ao programa ‘The Dr. Oz’ que deixou de tomar a medicação recomendada e que decidiu experimentar um tratamento alternativo no México.noticias-gospel-Charlie-Sheen-aids-hivSegundo a revista People, Charlie falou sobre o assunto no programa: “Deixei de tomar os medicamentos há uma semana. Se estou a arriscar a minha vida? Claro. E então? Já nasci morto”, disse o ator.

O artista confessou que o médico está tão confiante nesta terapia que chegou a injetar sangue do ator no seu próprio corpo: “Charlie, se eu não souber o que estou fazendo, estamos os dois com problemas agora, não é?”, conta a celebridade.

No entanto, a personalidade não recomenda que todas as pessoas façam isto: “Eu não encaro isto como um roleta russa. Nem como uma rejeição completa ao tratamento mais convencional. Não recomendo isto a qualquer pessoa – sou uma espécie de cobaia”, acrescentou.

Sheen espera assim ser a primeira pessoa a ser curada da doença, sem ser submetida a um tratamento anti-viral.

Suspender tratamento como Charlie Sheen fez, pode deixar HIV mais resistente

Pacientes portadores do vírus HIV que suspendem o uso dos antiretrovirais podem provocar uma aceleração do curso natural da doença. Mesmo a interrupção temporária do tratamento não é indicada por médicos, que afirmam que o vírus pode se tornar resistente aos remédios quando o uso não é feito da forma indicada.
“Vai haver efeito a curto, médio, ou longo prazo, com retorno da replicação viral”, diz Marcos Tadeu Nolasco da Silva, professor da faculdade de ciência médica da Unicamp e responsável pela área de Crianças e Adolescentes Infectados por HIV da instituição.
O efeito direto da interrupção do tratamento é a multiplicação do vírus HIV, que ataca as células de defesa do organismo. Assim, a suspensão pode levar ao enfraquecimento do sistema imunológico do paciente.”[Com a interrupção], ocorre a perda de controle do vírus, a piora da defesa do corpo, o indivíduo desenvolve aids e pode morrer”, afirma Esper Kallas, médico infectologista e imunologista da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
Para Kallas, o uso da medicação deve continuar para evitar que o vírus volte a se multiplicar pelo organismo. O argumento principal é de que a suspensão do tratamento traria o risco de tornar mais fácil o contágio. Segundo ele, o vírus pode voltar a ser detectado no organismo de 10 a 14 dias após a suspensão do uso de medicamentos.
“O uso dos medicamentos faz com que caia enormemente a transmissão para terceiros. Não é só um benefício individual, é benefício para a saúde pública como um todo”, diz.
A suspensão do uso de medicamentos já foi testada em diversos estudos para avaliar o quanto o organismo poderia dar conta do vírus sem o auxílio de remédios. O uso disciplinado dos antirretrovirais por portadores de HIV reduz a carga viral e possibilita manter o nível de células CD4 – responsável pela defesa do organismo que é atacada pelo HIV – em número elevado.
Contudo, segundo os médicos, a orientação que hoje prevalece é a de não suspender o tratamento mesmo quando há acompanhamento médico e a carga viral do paciente é indetectável.

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