Buscador Bing ganha espaço na batalha contra o Google

O ataque da Microsoft ao Google no terreno das buscas na internet e da publicidade vinculada às pesquisas pode ser o mais complicado desafio empresarial da atualidade. É certamente um dos mais custosos: a Microsoft gasta pelo menos US$ 5 bilhões por ano nessa tarefa.

Como líder disparado entre os buscadores, o Google tem vantagens. Ele possui o maior número de pessoas digitando termos de busca –bilhões por dia–, o que gera mais dados para os algoritmos que garimpam os resultados. Ter tanta gente atrai anunciantes. E “Google” é sinônimo de pesquisa, a escolha habitual.

O buscador Bing, da Microsoft, disponível em 40 idiomas, tem ampliado seu tráfego desde o lançamento há dois anos e já responde por mais de 14% das buscas no mercado americano, segundo a comScore, empresa de pesquisas do mercado digital. Somando-se a isso as buscas que a Microsoft faz para o Yahoo, em parceria iniciada em 2010, a empresa chega a 30% de domínio no campo das tecnologias de buscas.

Para enfrentar o Google nas buscas, a Microsoft quer fazer do Bing um "motor de decisão"

Mas, nos últimos dois anos, o Google manteve intacta a sua participação de dois terços no mercado dos EUA, e os custos da Microsoft continuam subindo. No último ano fiscal, a divisão de serviços on-line da empresa –principalmente o seu negócio de buscas– perdeu US$ 2,56 bilhões.

A Microsoft diz que sua meta é tornar as buscas mais inteligentes. As pesquisas hoje, diz a empresa, localizam principalmente tópicos ou nomes –de gente, cidades, produtos etc.

“Tudo são substantivos”, diz o chinês Qi Lu, presidente de serviços on-line da Microsoft. “Mas o futuro da pesquisa está nos verbos –discernindo a intenção do usuário para lhe dar o conhecimento necessário para completar tarefas.”

A Microsoft chama isso de “motor de decisão”, em vez de motor de busca. Novas classes de informações vão ajudar. A Microsoft tem uma parceria com o Facebook, incluindo um recurso para que os resultados do Bing destaquem links “curtidos” por amigos do usuário. É, segundo Lu, um passo no sentido de incluir opiniões confiáveis numa busca –e não só as mais populares, como uma busca convencional faz tão bem.

Os dados de localização oferecem outro manancial de informações. O objetivo, diz Lu, é que você fale com o seu smartphone –“filme e jantar para dois na sexta-feira”–, e o software acesse os seus dados pessoais (sua localização, suas preferências gastronômicas e cinematográficas) e entre em aplicativos para reserva de restaurantes e cinema.

Em suma, é um motor de buscas que é parte um software-assistente inteligente e parte um leitor de mentes.

No Bing, o conceito de “motor de decisão” é evidente na sua capacidade de agregar e apresentar tipos específicos de informações nos resultados de uma busca. A Microsoft tem investido em serviços de viagens, por exemplo. Digite “voos para San Francisco” no Bing, e ele procura todos os voos, além de prever se a tarifa tende a subir ou cair. Esse recurso se baseia na tecnologia da Farecast, uma “start-up” que a Microsoft adquiriu por US$ 115 milhões em 2008.

O Bing também utiliza tecnologia da Medstory, um buscador relacionado à saúde que a Microsoft comprou há quatro anos. Digite “diabetes”, e aparecerão uma definição curta e links para artigos em publicações profissionais de saúde, além de links para doenças correlatas, medicamentos e posts recentes do Twitter sobre diabetes.

“O que a Microsoft está tentando fazer é oferecer contexto e estrutura ao usuário –mais um mapa do mundo da informação do que apenas uma classificação”, diz Esther Dyson, uma investidora de “start-ups” e veterana analista de tecnologia.

 

A partir da esq., Brian MacDonald, Qi Lu, Harry Shum e Yusuf Mehdi, da equipe do Bing

Mas o Google está inovando também. Em abril, ele adquiriu a ITA Software, cujo serviço coleta e organiza dados na internet sobre voos comerciais. No ano passado, o Google havia comprado o Metaweb, que usava um vasto banco de dados para decifrar com eficiência o significado dos termos nas buscas. E, em 2008, adquiriu a Powerset, especializada na tecnologia de busca semântica.

“Ambos estão dando passos importantes para tornar a busca mais inteligente”, diz Oren Etzioni, cientista da computação da Universidade de Washington. O Bing é elogiado pela melhora na qualidade das buscas e pela elegante página inicial.

Laura Desmond, executiva-chefe da Starcom MediaVest, uma agência de estratégia publicitária, diz que a participação da Microsoft no volume de tráfego dos seus clientes vindo de anúncios em buscas saltou de 14% para 24% em nove meses.

A Microsoft ainda não está traduzindo o seu tráfego de buscas em um faturamento comparável. A receita por busca no Yahoo ainda é inferior ao valor que o próprio Yahoo obtinha quando gerenciava a publicidade nas suas buscas.

Mas pode haver uma abertura. Charlene Li, fundadora do Altimeter Group, uma firma de pesquisas tecnológicas, considera-se uma “enorme usuária do Google”. No entanto, ela diz que agora prefere o Bing para encontrar voos e restaurantes.

“A maior esperança da Microsoft é fazer cada vez mais gente migrar para o Bing atrás de tarefas específicas, como viajar”, diz ela. “Caso as pessoas gostem, elas poderão usar o Bing de forma mais ampla.”

 News York Times / Folha / Portal Padom

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