Boate e igreja evangélica tiram o sossego de vizinhos

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Em Campo Grande, a presença de clubes, boates e igrejas em áreas onde há apartamentos residenciais e casas coloca em xeque as regras da boa vizinhança. Tanto a movimentação aos arredores de casas noturnas como a dos cultos que ganham aspectos de shows em igrejas (protestantes e católicas) geram reclamações.
A situação envolve planejamento urbano, licenças de funcionamento, regras de convivência e saúde pública.
O ser humano passa um terço da vida dormindo. Uma noite de sono reflete diretamente na saúde. Estudos de uma universidade americana revelam o estrago físico que ocorre quando não há uma boa noite de descanso. Onze pessoas com idades entre 18 e 27 anos foram impedidas de dormir mais de quatro horas durante seis dias. O organismo delas teve reações comparadas ao de uma pessoa de 60 anos de idade e os níveis de insulina eram semelhantes aos dos portadores de diabetes.No Brasil, a perturbação da tranqüilidade é contravenção penal. Em Mato Grosso do Sul, foram 142 boletins de ocorrências de janeiro até o dia 30 de julho em todo o Estado sendo a metade das reclamações na Capital.

Igreja x casas noturnas
Em cidades organizadas, as áreas residenciais ficam bem longe dos pontos de lazer, onde a vida noturna não adormece. Em Campo Grande, o Midiamax esteve na região do Jardim dos Estados e Bandeirantes.
Embora a Rua tenha o nome de ‘Paz’, quem mora na região do Jardim dos Estados, reclama do barulho por conta da casa noturna Tango, uma das mais conhecidas da cidade. O eco das reclamações vem dos moradores do prédio Michelangelo, da Plaenge.
“Aqui antes era um daqueles armazéns da Plaenge. A estrutura é muito frágil. Depois, virou bingo, a Prefeitura iluminou toda a rua, era freqüentada por pessoas de meia-idade e tinha até segurança. Foi a melhor época porque era um silêncio”, diz um dos moradores da região que pediu para não ter o nome divulgado.
“Agora, com a boate, já fizeram de tudo para melhorar a acústica, mas chega uma certa hora na madrugada que ninguém agüenta”.
O gerente de marketing do Tango, Guto Ferreira afirma que o problema ali é porque foi construído um prédio residencial na quadra comercial, onde há restaurantes e bares.
Segundo Ferreira, o teto era de zinco e por conta disso havia a propagação do som para a parte externa. De setembro até outubro do ano passado o espaço chegou a ser fechado para obra na parte acústica e adequações.
“Estamos cinco decibéis abaixo do limite permitido. Não há irregularidade. O barulho que existe acontece na rua e ai já não é nossa responsabilidade”, frisa o gerente.
O limite máximo é 60 decibéis.
Ferreira entregou ao Midiamax cópias autenticadas do laudo de medição sonora, da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), licença ambiental, alvará de localização e funcionamento e licença sanitária da Prefeitura de Campo Grande, alvará de funcionamento da Secretaria de Justiça e Segurança Pública e certificado de vistoria do Corpo de Bombeiros.
Na Rua Brilhante, na região da Bandeirantes, a casa noturna Santa Fé fica a poucos metros do templo da igreja Ministério Força e Paz.
“Morar aqui é um inferno”, reclama a idosa Izafira Marques da Silva, 82.
O problema, segundo ela, fica concentrado no fim de semana. “Se eu fosse mais jovem eu já tinha aberto o ‘bocão’. O trânsito é pesado aqui, tem barulho o dia todo e à noite essa bagunça danada. Não tem tranqüilidade”.
A casa noturna Santa Fé estava fechada na tarde de ontem, mas há informações de que a acústica ali foi melhorada. Porém, moradores ainda reclamam do barulho e pela presença de carros em frente às casas atrapalha quem mora nas proximidades da Rua Brilhante.
Já o prédio da igreja está em construção e shows gospel acontecem no local. O líder jovem do Ministério Força e Paz, Gleidson César, 18, disse ao Midiamax que a expectativa é terminar a obra do prédio.
Alessandra Carvalho
Ele diz ainda que as caixas de som foram colocadas de forma a minimizar o barulho tendo paredes como obstáculos. A obra obedece as normas da Prefeitura, mas como a igreja depende de doações, não há prazo para terminá-la.
Desrespeitar o sossego é contravenção penal. O artigo 65 do Código Penal diz que “molestar alguém ou perturbar-lhe a tranqüilidade, por acinte ou por motivo reprovável: a pena é prisão simples, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou multa”.
midiamix/padom

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