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Como são diferentes, maridos e esposas precisam deste ponto fundamental de conexão.
Quando David prometeu-me “lhe dou todos os meus bens”, uma risadinha honesta, mas benevolente, passou por todos em nosso casamento. As pessoas já tinham visto seu carro – um Buick velho e enferrujado que ele havia comprado por US$ 50 – e a maioria de nossos amigos sabia que ele estava na faculdade e tinha a típica responsabilidade de empréstimos de estudantes para pagar.

Por isso não é de se admirar que nosso primeiro apartamento fosse num bairro aparentemente projetado para assustar nossas mães: barras feitas de ferro nas janelas e portas com fechaduras duplas. Acostumamo-nos aos sons noturnos do helicóptero da polícia fazendo patrulha sobre o nosso edifício assim que anoitecia. Quando minha irmã veio nos visitar, ela viu uma mulher perder sua bolsa para um jovem arruaceiro bem na nossa rua. Outro amigo disse que alguém vendia drogas regularmente a apenas alguns metros de nosso portão de frente.

Assim era o nosso bairro.

Mas o aluguel era barato e o apartamento era, digamos, mobiliado: um sofá vermelho bem surrado, gabinetes de cozinha engordurados, cortinas esfarrapadas, cadeiras cambaleantes na sala de jantar, uma cama que balançava e um colchão que fazia lombos em lugares diferentes (coloquei camadas de velhas colchas e uma boa capa de colchão, pois não queria nenhum tipo de contato direto com as inúmeras pessoas que já haviam dormido ali).

A julgar por nosso contentamento e gratidão, poderia ser um palácio. E foi durante aqueles dois primeiros anos de casamento que descobri uma das coisas de que mais gostei em David – e uma das que nos mantêm juntos e cada vez mais unidos – um espírito de agradecimento.

Sem lamúrias – Enquanto estávamos juntos em nossa primeira casa, começamos a pagar os empréstimos estudantis. Cobrimos os custos da escola do David sem adquirir novas dívidas; ele trabalhou em vários empregos ruins durante o tempo que estudou e eu tinha a duvidosa honra de ser responsável pela Dillards. Não apenas sobrevivemos, estávamos indiferentemente felizes como moluscos. David de bom grado enchia seus sapatos com papelão para proteger suas meias (as solas dos sapatos estavam furadas em alguns lugares); abandonamos as pipocas e os sucos e bebíamos só água, e nunca comíamos em restaurantes – nem no McDonald’s – até nosso primeiro aniversário.

David pintou os gabinetes engordurados da cozinha e fez novas prateleiras de madeira que ele achou no lixo. Como entretenimento, sentávamos em nossa cama em nosso quartinho (o único cômodo em que pudemos colocar um ar-condicionado para encarar o calor de Oklahoma), jogando cartas e assistindo à TV de US$ 10 que havíamos comprado (era preciso usar o alicate para mudar os canais). Fazíamos pizza para receber os amigos e inventávamos regras mirabolantes para jogar “killer Uno”.

Eu me sentia tão grata a Deus por nos dar aquela vida a dois que isso se tornou um ponto de conexão para que eu percebesse que David era realmente grato também. Eu o ouvia na cozinha ou no banheiro suspirando, bem baixinho, “Aleluia” ou “Obrigado, Senhor” e percebia que parte daquilo por que ele estava tão grato – além da salvação em Cristo, da orientação diária do Espírito de Deus e outras coisas “espirituais”- eram nosso lar e eu.

Em Novembro de 1990, naquele primeiro Dia de Ações de Graça em nossa vida de casados, fiz uma lista das “Dez Melhores Coisas para Agradecermos do ano de 1990”. Eu costumava fazer todos os anos uma lista como aquela, como um exercício espiritual. Imagine quem estava no topo daquela lista? David. Ele também estava no topo na lista de 1989. Ainda guardo aquelas listas, apinhadas com todas as cartas que escrevemos um para o outro enquanto não estávamos juntos, em Oklahoma e Chicago, um ano antes de nos casarmos.

Apesar de nossa privação financeira, lembro-me de que era fácil fazer aquela lista. Foram naqueles primeiros meses de casamento que David e eu começamos o que se tornou uma norma de agradecimento para nós. Juntos ou separados, em silêncio ou em alto e bom som, apreciamos o que Deus nos tem dado.

Supercola matrimonial – Não se ouve muito falar sobre conselheiros pré-matrimoniais instruindo jovens casais: “Sabe, vocês precisam ser gratos porque isso é realmente importante para o seu relacionamento”. No entanto, eles deveriam fazer isso. Para David e eu, a gratidão é um tipo de supercola. Isso nos dá um forte sentido de esperança e confiança sobre nosso futuro – nosso futuro juntos. Porque crescemos acostumados a procurar a benevolência de Deus e ficamos a esperá-la (não se pode forçar ou fingir este tipo de regozijo esperançado). Porque vemos Deus nos dar força e paciência em nosso relacionamento no passado, estamos convencidos de que Deus vai estar conosco nos problemas vindouros – dentro ou fora de nosso casamento. Não assumimos isso prontamente por sermos cristãos ou por achar que nunca vamos passar por doenças, problemas financeiros ou adolescentes rebeldes (algum dia). Mas porque nos tornamos profundamente convencidos de que Deus vai continuar trabalhando em nós e por meio de nós, não importa o que aconteça em nossas vidas.

Dessa forma, um espírito de gratidão dá ao nosso casamento um sentido de grata expectativa. Queremos ficar juntos por décadas – e esperamos que Deus esteja conosco. A gratidão vence a melancolia ou os sentimentos de desesperança que possam vir sobre nosso casamento. Quando somos gratos juntos, ajudamos um ao outro a depositar nossa fé em Deus.

A gratidão nos une porque requer um senso de humildade. Você não pode ser grato e orgulhoso ao mesmo tempo. David é humilde o suficiente para saber a quem agradecer por seus talentos, sua saúde, sua família, seu emprego. Esta humildade o torna acessível a mim e nos coloca no mesmo patamar, como receptores de uma sorte para além da razão dada por um Deus incomparável.

Os aspectos despretensiosos da gratidão removem a necessidade de lutas pelo poder entre nós. Nenhum de nós tem que tentar ser melhor ou mais forte ou estar mais “no controle” do que o outro – porque, sendo gratos, estamos reconhecendo abertamente que ambos temos falhas e necessidades e que Deus cuida de nossos problemas, até quando não o merecemos.

Coração agradecido, coração alegre – Meus filhos têm um vídeo, de contos sobre vegetais, chamado Madame Blueberry. Julia e Robbie sabem que a canção favorita da mamãe é a que fala de uma jovem garotinha e um pequeno aspargo que canta: “Um coração grato é um coração alegre. Agradeço a Deus pelo que tenho – e isso me faz sempre alegre”.

Então, estou agradecendo a Deus por meu grato esposo. Tão diferentes como David e eu somos, precisamos deste ponto fundamental de conexão. Sou grata pelo modo como a gratidão está fazendo efeito em nossa família. Ela desempenha um papel importante em nossos momentos de contentamento e concede uma compensação numa cultura cujo modelo de vida é tão materialista. A gratidão dá cor ao modo como oramos e ensinamos Robbie e Julia a orar. Cria um cenário para apreciar o mundo em que Deus nos coloca e para mostrar aos nossos filhos que vivemos pela alegria e pela obediência.

Já percorremos um longo caminho. Em vez de morar num bairro pobre cercado pela violência, moramos agora num bairro melhor. Temos nossa casa própria. Podemos pagar por sapatos novos e podemos comer fora em ocasiões diversas. No verão, usamos ar-condicionado na casa inteira e agora jogamos cartas com nossos lindos filhos. Confiamos que Deus “nos molda nas palmas de suas mãos” para termos uma vida abundante aqui na Terra e de bênçãos eternas no céu.

Temos todos os motivos para ser gratos.

por Christianity Today International

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