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Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer (Is 53.3)

Há alguns dias deparei-me com uma pesquisa que pretendia mensurar a intensidade da dor sentida pelas pessoas, através de um questionário que elas respondiam indicando o grau de sofrimento que aquele infortúnio provocava. Nessa “escala da dor”, foram classificadas as seguintes, como sendo as mais difíceis de suportar: cólica renal, cólica biliar, lombalgia aguda, neurite herpética, gota, enxaqueca severa, dor do parto e a dor do infarto.

Todos estamos sujeitos a um dia vir a sofrer alguma dessas dores, à exceção da dor de parto que por sua natureza, foi reservado apenas à mulher, como uma espécie de conseqüência do pecado: ”Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos” (Gn 3.16).

Não fazia parte daquela pesquisa questionar sobre a dor que não se experimenta no corpo, mas não obstante penetra tão profundamente no ser, e sua presença é tão sofrida, que não há opiáceo ou poção farmacológica que possa aliviar sua presença.

Aventuro-me aqui classificar algumas dessas dores que podem incomodar tremendamente a nossa alma:

A dor do vazio: é como um “buraco negro” que suga toda energia de vida. Quem sofre dessa dor tenta sufocar o tédio realizando todas as possibilidades que a vida proporciona, mas estas não lhe dão mais do que um alívio momentâneo, e a eterna busca de “novidades” (compras, shows, encontros, cultos) leva sempre em última instância ao desespero (Kierkegaard). É que por sua característica, esse vazio não pode ser preenchido pelos prazeres, pelas aquisições materiais, pelas companhias ou por obrigações religiosas.

A dor da indiferença. Vivemos numa época do ficar desligado, não envolver-se e não relacionar-se, pois amar é sentido como algo perigoso que compromete o ser. Por isso creio que o contrário do amor não é o ódio, mas sim a apatia (do gr. a-pathos, que é indiferença, insensibilidade emocional, apagão dos sentimentos e ausência de paixão). É a apatia que vai levando a um gradual afastamento de tudo, até que finalmente a pessoa descobre que a própria vida passou.

A dor da humilhação: quem já foi humilhado na infância, principalmente por quem deveria dar amor e passar confiança, carrega uma promessa gravada a fogo dentro de si: “nunca mais farão isso comigo”. Pessoas um dia feridas pela humilhação tendem a se defender o tempo todo, pois mesmo que a dor não esteja mais consciente, elas ainda continuam sentindo uma ameaça potencial em todas as situações que envolvam relacionamentos.

A dor da culpa por aquilo que não fez ou não pôde fazer, ou porque pecou ou falhou. Culpa por não alcançar os alvos propostos, por não ter sido melhor…. A culpa é um machucar-se a si próprio, uma severidade impetrada para conosco mesmo. Por vezes o mundo já esqueceu, Deus já perdoou, mas o sentimento continua firme ali agindo como um ladrão de alegria.

Quando há uma dor ardendo na alma, ela se torna o centro do nosso universo e invade cada espaço vazio do pensamento. Até as bênçãos divinas “somem” aos nossos olhos, e os prazeres mais comezinhos são desprezados. As dores do corpo podem ser curadas com remédios, tratamentos, cirurgias, ervas, ou acupuntura, mas a dor do ser quem a curará?

A dor faz parte da condição humana, por isso ela é inevitável. Até mesmo o próprio Jesus “embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” (Hb 5.8).

Percebo que Igreja é uma grande reunião de pessoas feridas, sempre buscando o “bálsamo de Gileade” (Jr 8.22) para suas dores. Mais cedo ou mais tarde elas encontrarão alívio, mas enquanto ele não chega, elas têm boa chance de nesse processo, agredir com palavras, maltratar e criar algumas animosidades, como uma espécie de reflexo da dor que sentem.

Encobrir uma dor é mais penoso que vivenciá-la. Quanto mais a negamos, e usamos de artifícios para escondê-la, o sofrimento é maior. Por outro lado, há quem exagere na dor. Somos facilmente tentados a dar um colorido dramático demais aos nossos infortúnios. Enquanto o filho do rei Davi esteve gravemente enfermo ele chorou pela criança, prostrou-se no chão, recusou-se a comer, e expôs o seu caso ao Senhor ao longo de uma semana. Ao saber que a criança era morta, “levantou-se, lavou-se, ungiu-se, mudou de vestes… e comeu” (2Sm 12.20). Ele sabia que não adiantava mais permanecer em sofrimento. Há pessoas viciadas em suas dores. É preciso despedir-se delas.

Jesus tinha especial predileção pelos sofredores. Ele próprio entende de dores, pois foi humilhado, rejeitado, desprezado. Se havia algo que o detinha pelo caminho era o chamado de dor de alguém. Ele não resistiu à dor da pobre viúva de Naim que perdeu seu único bem, o filho. Ele não resistiu ao choro incontido da mulher estrangeira que pedia desesperada por sua filhinha endemoninhada. Ele não se absteve de louvar a mulher pecadora que regou em lágrimas de dor os seus pés cansados. Ele não refugou entrar na casa de um pai aflito cuja filhinha estava à beira da morte.

Qual seria, então, a pior dor do mundo? Creio que seja a dor daqueles que vivem uma vida sem transcendência, presos ao materialismo, e que viram as costas a um Cristo profundamente humano. Apesar de habitarem num mundo frio e inóspito, recusam Aquele que veio dar sentido às nossas dores.

por: PR. DANIEL ROCHA

BWN / Portal Padom

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