Carlina Branco, no centro, está reunida com seus pais Joy White e Tyson Carl, 23 anos depois que ela foi roubada de Harlem Hospital, como um bebê. Imagem: NY Post / Splash News

Carlina Branco, no centro, está reunida com seus pais Joy White e Tyson Carl, 23 anos depois que ela foi roubada de Harlem Hospital, como um bebê. Imagem: NY Post / Splash News

Durante escassos 19 dias chamou-se Carlina White. Mas no dia em que os pais biológicos a levaram a arder em febre ao hospital de Harlem, em Nova Iorque, Carlina foi raptada e mudou de nome. Durante 23 anos cresceu chamando-se Nejdra Nance, criada por uma mulher que não era a sua mãe.§

Alheia ao que lhe tinha acontecido quando era bebé, Carlina White cresceu em Bridgeport, no estado do Connecticut e no ano passado mudou-se para Atlanta. Durante os seus 23 anos de existência, Carlina foi percebendo que algumas coisas não batiam certo. O fato de, por exemplo, a única mulher que conhecia por mãe  ter recusado a fornecer-lhe uma certidão de nascimento – documento obrigatório para tirar a carta de habilitação – levantou muitas suspeitas.

Podia não ter feito nada para mitigar as dúvidas, mas Carlina nunca deixou morrer o assunto. Aos 16 anos a adolescente foi mais longe e confrontou a mulher que a criou. Nessa ocasião ela disse-lhe, finalmente, que não era a sua mãe biológica, indica o “The Guardian”. A partir de então Carlina começou a fazer pesquisas. Passou anos a tentando descobrir a verdade em sites de busca e redes sociais online. No último  22 de Dezembro, Carlina fez um derradeiro apelo. Ligou para a linha de apoio do Centro Nacional para as Crianças Desaparecidas e Exploradas e disse: “Não sei quem sou”.

“A atendente da linha de apoio lhe fez perguntas, registraram uma série de fatos, uma série de detalhes; estabelecemos uma linha temporal e começámos a ter em atenção as características físicas e a afastar os casos de longa duração que não se aplicavam aqui; começámos a trabalhar com a polícia de Nova Iorque”, indicou à CBS Ernie Allen, presidente do Centro Nacional para as Crianças Desaparecidas e Exploradas.

Depois de a polícia de Nova Iorque, em colaboração com o Centro, terem levado a cabo análises de ADN os resultados foram conclusivos: Carlina era a filha biológica de Joy e Carl Tyson White – na altura com 16 e 22 anos, respectivamente – um casal de Nova Iorque cuja filha tinha sido raptada em 1987.

Raptada

A mulher suspeita de ter raptado Carlina e de a ter educado como filha durante 23 anos chama-se Ann Pettway e está atualmente em parte incerta.  Vivendo em Raleigh, na Carolina do Norte, pesa sobre ela um mandado de prisão.  Não por suspeita de rapto de um bebé em 1987 mas por tentativa de desfalque. Pettway estava em precária após ter sido condenada por este crime e não estava autorizada a sair do estado.

De acordo com as informações agora trazidas a público, Ann Pettway  vestiu de enfermeira naquele Verão de 1987 e raptou a pequena Carlina de um berçário das emergências do hospital de Harlem.

O caso foi noticiado nessa altura. As televisões americanas passou as imagens de arquivo da mãe biológica de Carlina, Joy White, chorando e pedindo ao raptor da filha para lhe devolver a criança.

Não se sabem muitos detalhes da vida de Carlina quando ainda se chamava Nejdra mas a jovem disse à avó biológica que a mulher que julgava sua mãe consumia drogas e lhe batia.

Sabe-se igualmente que a jovem, que entretanto se tinha mudado para Atlanta no passado, foi mãe ainda durante a adolescência.

Carlina – que agora rejeita o nome com que cresceu – tem estado reunida com a família biológica e, de acordo com a sua avó, a integração tem sido muito fácil. “Ela integrou-se bem. Parece que cresceu junto de nós”, indicou a avó, citada pelo LA Times.

Ernie Allen, presidente do Centro Nacional para as Crianças Desaparecidas e Exploradas, estima que os próximos tempos poderão ser intensos: “É preciso viver um dia de cada vez. Os nossos profissionais estão a dar assistência a esta reunificação. Até agora todos os sinais são muito positivos. Trata-se de uma mãe que nunca perdeu a esperança, que nunca deixou de batalhar pela sua filha, e a Carlina é uma jovem extraordinária, forte, independente, que estava determinada em descobrir quem era”.

Publico.pt / www.padom.com.br

 

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