marcelo oliveiraNo último dia 2 de janeiro, o Corinthians desembarcou em Itu para iniciar uma pré-temporada diferente. O foco geral era no recém-contratado Ronaldo, e um jogador do elenco olhava o atacante de maneira especial. Sem atuar em partidas oficiais desde agosto de 2007, Marcelo Oliveira admirava o esforço do craque para superar um problema comum entre ambos: cirurgia no joelho.O elogiado substituto de André Santos na vitória por 2 a 0 sobre o Internacional passou por quatro operações no joelho esquerdo, todas complicadas por uma infecção hospitalar na primeira intervenção, ainda em 2007, após lesão no ligamento cruzado e no menisco. Quando o lateral ia para a mesa de cirurgia pela última vez, em novembro do ano passado, Ronaldo já finalizava a recuperação de sua terceira operação no joelho. Serviu de inspiração.

“Quando o Ronaldo chegou, conversou comigo para me passar muita força. O Joaquim (Grava, médico do Corinthians e responsável pelas duas últimas operações do ala) tinha explicado minha situação. E em Itu eu via o Ronaldo treinando todo dia. Me admirava aquela vontade. Ele é um cara consagrado, ganhou tudo, se quisesse já tinha parado”, relembra Marcelo Oliveira.

Agora, depois de dar o passe para o primeiro gol da final da Copa do Brasil, o camisa 16 exibe suas cicatrizes com um sorriso no rosto, vendo graça até ao ouvir que sua marca é “fichinha perto da que o Ronaldo tem”. “A dele é bem grande, né? A minha tem só um corte e vários furos. Mas esse aqui não é de cirurgia, é de um carrinho do jogo”, especifica, rindo.

Poder se jogar no gramado e atuar novamente é o suficiente para alegrar o jogador. Desde a primeira cirurgia, ele já viu seu joelho esquerdo passar por uma série de problemas, como as dificuldades de adquirir musculatura, impossibilidade de esticar a perna e até de ficar de pé. A busca de força na dificuldade o tornou um evangélico fervoroso.

Uma das apostas de Mano Menezes, Marcelo chegou a ser utilizado em 2008 no fim de um amistoso contra o Misto-MT e foi ao banco em dois jogos na Série B, tudo isto antes da última operação. Voltou a entrar em campo no último dia 6 de junho, diante do Coritiba, em partida que arrancou lágrimas de sua esposa. Na sequência, veio a volta ao time titular, logo na primeira final da Copa do Brasil, na vaga de André Santos, que viaja com a seleção.

“O Mano só disse que eu seria titular na preleção. Fiquei feliz para caramba, né? Mas tinha que prestar atenção na função que eu teria no jogo. Depois eu não faço, e aí?”, conta o lateral, gargalhando. A concentração foi válida para ele dar o passe para o gol de Jorge Henrique.

“A gente viu nos vídeos que a zaga deles afunda, então cheguei na linha de fundo e já rolei para trás. Quando vi a rede balançando, parecia que era eu que tinha feito o gol”, comemora.

Com esta jogada e a boa atuação, Marcelo foi um dos mais elogiados por Mano. Agora, já pode respirar mais tranquilo. “Parecia minha estreia como profissional. Mesmo se for para o banco, vou estar sempre alegre. Só tenho que agradecer por tudo que fizeram por mim e por esta vitória pessoal. Jamais pensei que ia parar. Sou cristão e sei que Deus é fiel”, discursa o lateral, se explicando. “Falo que Deus é fiel porque sou cristão, não porque Ele é corintiano. Ele ama a todos”, justifica, sempre gargalhando.

Terra/padom.com

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